Assine o RSS | Campo Grande, quinta-feira, 23 de fevereiro - 2012

Marco Eusébio
Flashes De Inspiração

Custei a compreender que fantasia é um troço que o cara tira no carnaval e usa nos outros dias por toda a vida

Aldir Blanc Mendes, compositor e escritor brasileiro, na letra da música Fantasia
Garimpando a Historia
Postado por Marco Eusébio, 22 de Fevereiro de 2012 às 13:30 - em: Garimpando história

Campo Grande em samba inédito de Cartola

Compositor e poeta popular que criou clássicos inesquecíveis da MPB como "As Rosas Não Falam" e "O Mundo é um Moinho", Angenor de Oliveira (foto), o mestre Cartola (1908-1980), fez um samba em homenagem a Campo Grande, quando em 1962 esteve na cidade que 15 anos viria a ser capital do novo Estado de Mato Grosso do Sul. Cartola veio acompanhando a Mangueira, escola que ajundou a fundar, convidada a se apresentar no aniversário da cidade e o compositor aproveitou para divulgar a verde e rosa (cores que ele próprio escolheu para a escola). "És cidade morena, muito embora pequena. De valor tradicional..." diz a letra (veja a integra na nota abaixo e ouça com exclusividade a música aqui no Blog). A homenagem à Morena é uma das obras inéditas de Cartola que estão sendo resgatadas pelo Museu da Imagem do Som (MIS) do Rio de Janeiro que até o fim do ano pretende colocar o material à disposição de pesquisadores para consulta, conforme divulgou a revista Veja na edição da semana anterior. Cartola costumava escrever letras em qualquer pedaço que papel que tinha à mão e até em maços de cigarros, quando vinha a inspiração, e depois esquecia. Deixou 146 obras registradas e parte delas gravadas, mas nas suas próprias contas fez mais de 600 composições. Cerca de trinta, incluindo a homenagem a Campo Grande, farão parte do acervo do museu.

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Postado por Marco Eusébio, 22 de Fevereiro de 2012 às 12:56 - em: Garimpando história

Ouça "Cidade Morena", samba inédito de Cartola em homenagem a Campo Grande

Fotos Divulgação/Reprodução

Depois de sete anos pesquisando a história do samba "Cidade Morena", feito pelo compositor Cartola em parceria com Nuno Veloso em homenagem a Campo Grande, o engenheiro Celso Higa, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, fez uma gravação artesanal da música que você pode ouvir aqui na seção GARIMPANDO HISTÓRIA do Blog que divulga em primeira-mão a composição inédita, com colaboração do jornalista Ítalo Milhomem, amigo de Higa. 

"Cartola chegou em 1962 para participar das festivadades do aniversario da cidade, veio para inaugurar a Praça do Rádio (Praça da República). Demorei sete anos garimpando essa curiosidade musical, até ouvir o parceiro do Cartola (Nuno Veloso) cantarolar por telefone, após nove interurbanos dominicais ao bairro de  Ipanema, no Rio de Janeiro, onde ele mora", conta Celso Higa, que também conversou com Dona Zica, viúva de Cartola, enquanto ela era viva. Higa lembra que "Campo Grande tem o apelido de Cidade Morena porque no início do século 20, quando ainda não tinha asfalto nem paralelepípedo, a poeira da terra vermelha da região alterava a tez das pessoas, deixando-as mais morenas".

"A música só não foi pra frente porque o Jânio Quadros (nascido em Miranda, mas registrado em Campo Grande) renunciou à Presidência do Brasil e essa homenagem musical (que tem uma alusão a ele) foi levada ao ostracismo".  Clicando no ícone abaixo, você ouve a gravação feita por Celso Higa "só para registro e guardar no meu arquivo pessoal", explica. O violão solo, com os fraseados, é do José Boaventura Sá Rosa "meu finado amigo  e uma referência cultural no MS, que era engenheiro eletricista como eu". "Os sons do surdo e tamborim foram sampleados em estúdio", explica Higa.

Veja a letra e ouça o samba inédito de Cartola...
 
CIDADE MORENA
(Nuno Veloso e Cartola)
 
És Cidade Morena,
muito embora pequena,
de valor tradicional.
Do Oeste és a fronteira,
modesta e bem brasileira,
graciosa e sem rival.
Berço nobre de um presidente,
a quem felizmente,
dá-se o seu valor.
Campo Grande, és o progresso,
prá quem de coração peço
um futuro promissor. 

Clique para ouvir o áudio

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Postado por Marco Eusébio, 22 de Fevereiro de 2012 às 10:27 - em: Garimpando história

Nelsinho nega renúncia para candidatura "divina" do irmão em Campo Grande

Informando que o deputado Marquinhos Trad preferiu não declarar preferência pelos pré-candidatos governistas Siufi, Giroto (os três do PMDB) e Mandetta (DEM) pois continua no páreo aguardando "um sinal divino para ser o candidato" do PMDB à sucessão do irmão, embora a regra seja clara na Constituição Federal impedindo a hereditariedade em cargos executivos, o site Campo Grande News, pelo sim, pelo não, resolveu perguntar para o prefeito se vai mesmo renunciar ao cargo para que o mano possa se candidatar. "Não existe isso", disse o também peemedebista Nelsinho Trad, rasgando tal fantasia eleitoral, durante o desfile de escolas de samba da Capital. (Foto João Carrigó, CGNews Reprodução)

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Postado por Marco Eusébio, 20 de Fevereiro de 2012 às 11:35 - em: Garimpando história

Três tipos diferentes, das ruas para a história no carnaval de Campo Grande

"Três tipos diferentes"... foi o samba enredo da escola campeã do carnaval de Campo Grande há 31 anos, quando a Igrejinha levou o troféu em 1981. O autor foi Edson Contar, historiador que faz parte da história da cidade como descendente do fundador José Pereira. A letra homenageava e registrava na história local Pompílio, Barbosa e Josetti, três moradores de rua que se tornaram personagens inesquecíveis de comerciantes e moradores da região central no século passado. Aproveitando o embalo do atual carnaval, leia o que dizia o samba da Igrejinha. E leia também como Edson Contar descreveu Pompílio, Barbosa e Josetti, os três "tipos diferentes", em artigo publicado à época em jornais como o Correio do Estado, Diário da Serra e jornal Brasil Central, que está também em seu livro "Das Margens do Prosa ao Bar do Zé".

 
TIPOS DIFERENTES
Pompílio, Barbosa e Josetti
(enredo de 1981 GRES Igrejinha)
letra e música: Edson C Contar
 
"Tipos diferentes conhecemos,
Durante nossa infância e mocidade,
Figuras que jamais esqueceremos,
Viveram pelas ruas da Cidade...
 
Passaram e deixaram sua imagem,
Eram de paz
 E paz pregaram nesta terra,
O seu viver, o seu saber, eram mensagens,
Aos que eram "sãos"
E mesmo assim, faziam guerra...
 
Onde anda o Pompilio?
Pretinho de bom coração...
Que saudades do Josetti,
Dos anéis por toda a mão...
E do Barbosa,
Que figura tão brilhante,
Que andava em busca
 De um lindo diamante...
 
De onde vieram?
Pra onde foram?...
Não disseram adeus...
Onde estiverem,
Estarão em paz com Deus!
 
Tão diferentes!"
 
Quem foram Pompílio, Barbosa e Josetti... [Por Edson C. Contar]
 
"TRATAMENTO CUIABANO"...
 
Para os mais jovens, que não conheceram esses três tipos folclóricos da cidade, Pompilio era um  afro descendente de pequena estatura, vestia roupas muitos números acima de seu manequim, calça larga, paletó comprido que lhe chegava aos joelhos e desde cedo estava pela Rua 14 de julho, andando tranquilamente entre a multidão, sem pedir esmolas nem incomodar as pessoas, deixava uma latinha no chão e ali recolhia as moedas que os amigos depositavam. Seu simples olhar já lhe trazia uns trocados que ele imediatamente investia em doses de "chica bôa", no bar mais próximo...
 
Falava pouco, ou quase nada. Apenas olhava o vai-vem dos apressados, imaginando talvez o "por quê" de tanta pressa para o nada... Dos três, era o único que tinha familia. Morava na antiga Joaquim Murtinho, ou Barão do Melgaço, não me lembro bem. Firmava-se num cabo de vassoura, como amparo para a tonteira que o álcool provocava.
 
Embora a petizada fizesse sua farra com o Pompílio, ele jamais ameaçou usar sua bengala para reagir. Seguia calmo e tranquilo seu caminho de volta à casa. Um dia, numa época de repressão aos mendigos de rua, não se sabe a mando de quem, levaram Pompílio para "tratamento" em Cuiabá. Ao que se sabe, nunca chegou ao destino. É uma história que tento desvendar há muitos anos e não consigo.
 
ALZIRA E O DIAMANTE...
 
Já o Barbosa, tinha uma história conhecida. Foi garimpeiro ali pras bandas de Corguinho. Era também "afro-descendente", como querem os cultos legisladores, e sua história, como a de muitos, envolveu amor e decepção. Contava meu velho pai, que conhecera Barbosa dos tempos que vinha a cidade e trocava seus xibius (pequenos diamantes) por mercadorias na Casa Mineira e na Casa Calarge, da qual meu pai foi sócio e gerente.
 
Permanecia pouco tempo na cidade e retornava à sua lida na busca do brilho das pedras, onde vivia em companhia de uma linda mulher branca de nome Alzira. Um dia, Barbosa teria encontrado uma rica pedra de diamante, de tamanho, forma, brilho e qualidade ímpar. Voltou ao rancho e, com a cumplicidade de Alzira, escondeu em lugar seguro a fortuna de tantos anos de trabalho. Acontece que Alzira já andava de namorico com o chefe da guarnição policial do distrito, e contou a ele a história, convencendo o policial a largar o oficio e juntos fugirem pra longe, recomeçando a vida em meio a luxos e folguedos que Barbosa não concebia em sua simplicidade e inocência de homem humilde e caseiro.
 
Numa noite fria e chuvosa, Barbosa encontrou seu rancho vazio... Seus xibius e a valiosa pedra que lhe daria tranquilidade por toda vida, desapareceram também. Ensandeceu. Pirou geral. Como um louco, ou já enlouquecido, corria pelo garimpo e pela currutela procurando Alzira e seus diamantes. Ela já estaria longe, gozando, pela primeira vez, a aventura de viajar pelos trilhos da noroeste em direção a lugares que ninguém nunca mais soube.
 
Barbosa veio para Campo Grande, talvez na esperança de encontrá-la, mas nunca mais viu Alzira e suas pedras. Dai em diante, vagava pelas ruas, enrolado em um cobertor que à época chamavam "pega negrinho", descalço e em trapos. Tudo o que brilhava pelas sarjetas ele pegava, olhava em direção a luz como a examinar uma pedra e desfazia-se do engano, passando a buscar novos brilhos pelas calçadas. Manso, simpático e de boa fé, cumprimentava a todos e era por todos respeitado na 14 de julho, seu pedaço favorito na cidade. Dormia em baixo das marquises e raramente aceitava esmolas. Tinha um orgulho herdado dos tempos que seus xibius valiam mais que a moeda corrente. 
 
Durou até o inicio dos anos oitenta, já com noventa anos de trabalho e sofrimento. Ironicamente ele, que já morava no Asilo para onde fora levado por pessoas da cidade, morreu na noite em que a escola de samba Igrejinha cantava na avenida o samba que falava de sua desdita. Coisa que só Deus saberia explicar. Talvez, lá do céu, Barbosa tenha assistido a escola de samba comemorar a vitória naquele ano, sendo ele um dos personagens principais, figurado na avenida pelo saudoso "Fumaça" da Igrejinha...
 
O GENTLEMAN DAS RUAS...
 
Já o Josetti, foi alguém muito especial e, escrever sobre ele acaba sendo ousadia de qualquer cronista, depois que o saudoso Ulisses Serra o descreveu com tanta maestria e verve incomum no seu livro "Camalotes e Guavirais", não deixando espaço para nada mais esclarecedor e rico em detalhes sobre uma pessoa.
 
Peço vênia a sua memória para extrair o primeiro verso de sua rica crônica onde ele diz: -"Josetti era um vaganau diferente. De familia ilustre, tinha candura e mansuetude"...
Em poucas palavras, Ulisses traz a imagem perfeita de um homem que, no passado teria sido importante guarda livros do porto de Santos, membro de familia ilustre e moço de requintados costumes, culto e elegante.
 
Entende-se nas entrelinhas de sua vida, que teria perdido a cabeça (e mais tarde, o juizo) também por amor (ou desamor) à uma mulher. O que se tem certeza é do homem que por aqui apareceu, vagando pelas ruas, vestido em rotos ternos, gravata, e seu indefectível chapéu, como era o costume na época, chamando atenção pelos dez ou doze aneis que usava nas mãos, todos de latão e pechibeque, como cita Ulisses.
 
Mantinha longos papos com os doutores da terra, demostrando sempre uma certa sabedoria, vinda das brumas de seu passado e complementada pelas andanças que a vida lhe impôs. Era um gentleman, embora em andrajos. Diziam que ele teria passado por Corumbá, mas nunca se soube a verdade de tal estória para torná-la parte da história de Josetti.
 
Vez por outra, os boêmios da cidade faziam com que vestisse ternos limpos e ele aparecia renovado em seus passeios pela velha 14 de julho, sempre imponente, generoso e atento aos que lhe cediam participar das conversas comuns nas portas das lojas.
 
Nada pedia. Recebia de bom grado o convite para aceitar um prato de comida, como se convidado fosse para uma festa. Numa noite fria de junho, passou para a eternidade, sob o vão da escadaria do edificio Korndorfer, onde se abrigava por deferência do também saudoso Frederico Korndorfer, depois de Dona Olga, sua esposa.
 
Foi o conhecido Gabura e alguns amigos que o vestiram elegantemente, adquiriram o caixão e providenciaram um cantinho no cemitério Santo antônio e mandaram até rezar missa de sétimo dia para que aquele misterioso mas respeitado e querido tipo que enriqueceu a história dos vários anônimos que passaram pela Campo Grande de ontem e aqui ficaram. 
 
Como eu disse no samba, Pompilio, Barbosa e Josetti, "não disseram adeus" ...continuarão vivos pelos livros e na saudade dos que os conheceram. Que tenham encontrado a paz, com Deus!

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Postado por Marco Eusébio, 14 de Janeiro de 2012 às 16:14 - em: Garimpando história

Trad conhece a cidade...

Na histórica eleição de 1996 em que André Puccinelli (PMDB) enfrentou Zeca do PT no segundo turno e conseguiu se eleger pela primeira vez prefeito de Campo Grande por uma diferença de poucos mais de 400 votos e muita polêmica, o refrão "Trad conhece a cidade" foi uma das marcas do primeiro turno no jingle de campanha do deputado federal Nelson Trad pelo PTB, que disputou o cargo com o atual vereador Loester [hoje no PMDB] de vice pelo PDT com apoio do ex-governador Pedro Pedrossian (então no PTB) pela chamada "Frente das Oposições" que tinha ainda o PFL, atual DEM. O video acima, que o publicitário Uirá Ramos que atuou na campanha guardou em seus arquivos e o advogado Yves Drosghic passou à seção GARIMPANDO HISTÓRIA do Blog, mostra a abertura da campanha de Trad em que ele, advogado reconhecidamente hábil com as palavras, alfineta sem citar diretamente os então candidatos adversários dizendo que não era "aventureiro de fora" (em referência ao deputado André Puccinelli, que veio da cidade de Fátima do Sul) e que "não levei dias para construir meu patrimônio", alfinetando o ex-senador Levy Dias, candidato pelo PPB (atual PP). 

No vídeo onde aparece com Pedrossian e Loester, Trad fala ainda dos problemas da cidade governada pelo PMDB com Juvêncio da Fonseca, citando precariedade no serviço de saúde, falando dos ônibus urbanos lotados com atendimento capenga e tarifa muito cara e da insegurança nos bairros mais pobres. Coisas que continuam líderes na lista de reclamações da população até hoje. Trad não conseguiu realizar o sonho de ser prefeito, nem virou taxista como os adversários  ironizavam já que ele dizia conhecer a cidade. Mas encerrou vitorioso a carreira política ao término de mandato na Câmara dos Deputados em 2010 e faleceu um ano depois, conseguindo antes o que outras lideranças do estado tentaram sem sucesso, ajudando o filho Nelsinho ser eleito prefeito da Capital de Mato Grosso do Sul por dois mandatos e a eleger os outros dois filhos, Marquinhos, deputado estadual, e Fábio Trad como deputado federal em 2010.

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Postado por Marco Eusébio, 18 de Novembro de 2011 às 12:16 - em: Garimpando história

Jorginho, o supersincero...

Em tempos do politicamente correto, não é demais lembrar o bom humor e sinceridade extrema do inesquecível Jorge Antônio Siufi. Candidato a vereador em Campo Grande na década de 70, não teve pejos em adotar como slogan a tirada “ruim por ruim, vote em mim”. Fica o esclarecimento: Jorginho, advogado e escritor que, para quem porventura não saiba é autor da letra do hino de Mato Grosso do Sul, não se elegeu.

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Postado por Marco Eusébio, 12 de Outubro de 2011 às 17:19 - em: Garimpando história

A cara do povo...

Fotos Agência Câmara/Arquivo e Reprodução

 

Famoso nas décadas de 70 e 80 na política regional por repetir em seus discursos de oposição que mais feio do que ele era a situação do povo, o então deputado federal Sérgio Cruz, sem conseguir legenda para disputar a Prefeitura de Campo Grande em 1985, resolveu deixar o PMDB, partido do qual foi um dos fundadores no estado, e ingressou no PDT. Como reforço da sigla na Câmara dos Deputados foi levado para conhecer o lendário presidente nacional e fundador do Partido Democrático Trabalhista, Leonel Brizola.
 
No Palácio da Guanabara, o jornalista e deputado, impressionado com a beleza e representação histórica do lugar, observou tudo atentamente e ficou o tempo todo calado enquanto estiveram sentados à frente do governador do Rio de Janeiro, conhecido pelos longos discursos. Ambos ouviram atentos por pelo menos 40 minutos o carismático “velho caudilho” falar com a conhecida voz carregada do sotaque e expressões gaúchas. De repente, Brizola olhou para Sérgio Cruz, se virou para o presidente do PDT sul-mato-grossense e disparou um elogio: 
 
– “Alarico... estou gostando desse PDT do Mato Grosso do Sul, porque ele tem a cara do povo!” 
 
Foi só risadas.
 

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Postado por Marco Eusébio, 24 de Setembro de 2011 às 12:26 - em: Garimpando história

Garrafadas de campanha...

Arquivo pessoal YD para o www.marcoeusebio.com.br

Aproveitando a deixa dos "cascos" ou vasilhames abordados na coluna neste inspirador sábado primaveril do ano que antecede o de eleições municipais, vale revelar uma história dos bastidores da campanha de 2004 cá em Campo Grande. Na época, em defesa de seu sobrinho candidato, o deputado petista Vander Loubet, o então governador Zeca do PT disparou um petardo contra o candidato da situação à sucessão do prefeito André Puccinelli dizendo que Nelsinho Trad (ambos do PMDB) não passava de uma “garrafa vazia”.  Nelson Filho não deixou o governador esperar. Respondeu minutos depois que aquela seria “uma ofensa típica de quem não podia ver garrafa cheia”. O peemedebista acabou eleito em primeiro turno e reeleito quatro anos depois. O petista nunca mais tocou no assunto.

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Postado por Marco Eusébio, 18 de Setembro de 2011 às 15:30 - em: Garimpando história

O feito do Feitosa...

Do acervo de Luiz Carlos Feitosa para o www.marcoeusebio.com.br

Foi há 30 anos. Usando um vistoso óculos escuro, moda na época, e portando um gravador também nem um pouco discreto, movido a seis pilhas "grandes", o repórter Luiz Carlos Feitosa, com 21 anos, se encontrou pela primeira vez com um ministro das Comunicações. Era Haroldo Corrêa de Mattos, em entrevista coletiva no dia 5 de maio de 1981. Taí a foto acima para provar.

 
Naquele tempo Feitosa não era apenas repórter. Podia ser chamado de "faz tudo" de seu jornal A Crítica de Campo Grande, fundado no ano anterior. Além de dono e diretor, atuava como fotógrafo, vendia publicidade e até distribuía exemplares do semanário nas manhãs domingueiras na Avenida Afonso Pena, no centro da Capital sul-mato-grossense. Trabalhava muito, mas com gosto. Afinal, para quem já havia sido engraxate na adolescência, virar empresário, dono de seu próprio jornal, era uma grande vitória.
 
Para fazer a tal entrevista, Feitosa viajou mais de 700 quilômetros. O evento aconteceu lá em Santo Antonio do Leverger, no distrito de Mimoso, às margens da Lagoa de Chacororé, próximo à Cuiabá, capital do vizinho Mato Grosso. Naquele dia o lugarejo havia sido invadido por uma grande comitiva de autoridades, a maioria militares. Foram inaugurar um posto de serviço de telefônico para homenagear o finado marechal Cândido Mariano Rondon, patrono das comunicações brasileiras, que nascera naquele pequeno e distante povoado quase despovoado. 
 
Naquela época o serviço de telefonia era estatal e nos dois estados, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estava a cargo da Telecomunicações de Mato Grosso, a Telemat, cuja diretoria resolveu instalar o tal posto, economicamente inviável, só para a tal homenagem e póstuma e, de quebra, fazer um agrado ao governo militar que estava no ocaso. Em local aprazível, mas quase ermo, o posto telefônico teria raros usuários. O lugarejo nem energia elétrica tinha. Os equipamentos seriam movidos com energia solar e eólica. 
 
Para provar que a energia do sol e do vento funcionava, o ato foi marcado por dois telefonemas. Um do então governador de Mato Grosso, Frederico Carlos Soares Campos, para o presidente da República, General João Batista Figueiredo, que estava no Palácio do Planalto. Em seguida, o ministro Haroldo de Mattos ligou para a casa da filha do homenageado, Aracy Rondon Amarante, lá em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro.
 
Também foi inaugurado um grande painel simbolizando a epopéia de Rondon. Foi feito pelos atuais donos da Art & Traço, conhecida agência de publicidade de Campo Grande (MS), Chico Lacerda e Edvaldo Jacinto Corrêa, contratados para a tarefa pelo diretor de Comunicação Social da Telemat, Enneu Fett de Magalhães. Para fazer o painel, Chico e Edvaldo ficaram quase dois meses acampados às margens da grande lagoa.
 
Emocionado por entrevistar um importante integrante do primeiro escalão do governo federal pela primeira vez, Feitosa não imaginava naquele dia que seria o primeiro de seus vários encontros com ministros das Comunicações. Seis anos depois, em 1987, ele seria recebido no ministério, em Brasília, por outro titular da pasta, o baiano Antonio Carlos Magalhães, quando reivindicpi sua primeira emissora de rádio, a Pindorama AM, de Sidrolândia (MS). Em janeiro de 1988 seu pedido foi atendido e a outorga veio com a chancela do então presidente José Sarney e a do Ministro ACM.
 
Depois, Feitosa se encontrou com outros mandatários do Ministério das Comunicações: Miro Teixeira, Hélio Costa e José Artur Filardi. E obteve novas concessões. Hoje, 30 anos depois da primeira vez mostrada na foto acima, o repórter-empresário consolidou o Grupo Feitosa de Comunicação com emissoras de rádio espalhadas por várias regiões de Mato Grosso do Sul, dentre elas, a Transamérica Campo Grande FM - 99,1 Mhz. O ex-engraxate aprendeu a lustrar seu caminho empresarial.

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Postado por Marco Eusébio, 06 de Setembro de 2011 às 10:06 - em: Garimpando história

Lei de 1973 proibia prédios em Campo Grande

Reprodução Correio do Estado de 1973

"Não será permitida a construção de prédios residenciais ou comerciais com mais de dois andares (incluindo o térreo), a leste da Rua Bahia (inclusive)" - diz Lei [municipal] nº 86 de Campo Grande assinada do dia 12 de novembro de 1973 pelo então presidente da Câmara dos Vereadores, Felix Balaniuc, e pelo primeiro-secretário Valter Pereira, que entrou em vigor com sua publicação na edição do dia 14 daquele mês no jornal Correio do Estado, que na época funcionava como Diário Oficial do Município. "Se essa lei porventura não tiver sido revogada nesses quase 38 anos, o que é improvável, a situação dos prédios da Capital de Mato Grosso do Sul está quase toda irregular", comenta advogado que enviou a cópia acima ao Blog.

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Postado por Marco Eusébio, 04 de Setembro de 2011 às 13:58 - em: Garimpando história

O time do Nelson Trad

Do acervo de Alexandre Franzoloso para o www.marcoeusebio.com.br

Posando para a foto acima em um torneio amador do Rádio Clube de Campo Grande em 1979 aparecem Nelson Trad e seus três filhos que sonhavam, como a maioria dos garotos e jovens brasileiros, em ser jogadores de futebol profissional. Na época com 15 anos, Nelsinho (o da direita dentre os agachados), pensava um dia integrar a equipe do glorioso Botafogo. Segurando a bola ao lado do pai Marquinhos, aos 13 anos, sempre contra o time de Nelson Trad e dos irmãos, imaginava integrar o esquadrão do Vasco. E Fábio, aos 8 anos, embora também botafoguense, nem pensava em ir muito longe de casa. Queria mesmo era atuar pelo Esporte Clube Comercial local. 

 
Se no campo da bola não integraram os times profissionais dos quais permanecem na condição de torcedores, na área da política foi diferente. Os filhos do ex-deputado Nelson Trad formaram um time vitorioso. O médico Nelsinho Trad, que completa 50 anos nesta segunda-feira (5), é prefeito em segundo mandato da Capital de Mato Grosso do Sul. O advogado Marquinhos, de 47, é deputado estadual reeleito. E o ex-presidente da OAB-MS Fábio Trad, de 42 anos, venceu em 2010 seu primeiro jogo na política partidária e desde o início do ano exerce mandato de deputado federal por Mato Grosso do Sul. Todos pelo time do PMDB.
 

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Postado por Marco Eusébio, 28 de Agosto de 2011 às 15:59 - em: Garimpando história

O cabalístico 7 do prefeito Levy Dias

Do acervo de Tião Guimarães para o www.marcoeusebio.com.br Marco Eusébio in Blog

Quando foi prefeito “biônico” de Campo Grande, nomeado pelo então governador Pedro Pedrossian no início da década de 80, Levy Dias (na foto em entrevista ao saudoso repórter Antônio Carlos de Oliveira, o Pastel) teve um período de fixação pelo número sete no início dos anos 80. Políticos e jornalistas da época contam que ele tinha um broche que exibia um símbolo de sete flechas que se fundiam em uma só. E sete secretários na equipe, embora depois tivesse ampliado o número de secretarias. 

 
Essa fase cabalística teve um episódio marcante, revelado na época pela coluna “As Dez Mais”, do extinto Diário da Serra, jornal local dos Diários Associados, a maior rede de jornais já existente no mundo fundada por Assis Chateaubriand (o Chatô), onde comecei a trabalhar na imprensa, aos 14 anos. 
 
O jornal publicou que, ao disputar a candidatura governista à sucessão do governador Pedrossian na convenção do PDS em 1982 contra o prefeito de Dourados José Elias Moreira, Levy teria consultado fontes místicas antes de fazer o seguinte prognóstico: 
 
– “Vou ganhar com 70 ou 77 votos”.
 
Perdeu por sete.

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Postado por Marco Eusébio, 07 de Junho de 2011 às 23:59 - em: Garimpando história

Jornalista vence superintendente da PRF em eleição estudantil em MS... há 26 anos

Pouca gente sabe ou se lembra, mas o atual superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Mato Grosso do Sul, Valter Favaro, já militou no movimento estudantil. Foi em 1985 quando ele estudava no colégio São Luiz e resolveu montar uma chapa de oposição chamada "Independente" para disputar a presidência da União Campo-grandense de Estudantes (UCE).  O ensaio eleitoral de Favaro, apesar das boas lembranças guardadas, acabou frustrado. A chapa vencedora foi a "Coração de Estudante" apoiada pela diretoria da entidade, ligada ao PCB na época. Apesar da vitória nas urnas, quem se elegeu presidente da UCE naquele pleito também não seguiu carreira política. Virou jornalista. Foi meu colega de redação no extinto Diário da Serra e na Folha do Povo. E continua militando na lide do jornalismo diário. É o Nélio Raul Brandão, atualmente chefe de reportagem da TV Morena, afiliada Globo no estado.

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Postado por Marco Eusébio, 24 de Maio de 2011 às 17:21 - em: Garimpando história

Mato Grosso sob as águas em Campo Grande...

Acervo de Roberto Higa/Reprodução Facebook

– "Nunca digas: por que foram os dias passados melhores do que estes? porque nunca com sabedoria isto perguntarias."  (Salomão, rei hebreu, no décimo versículo do sétimo capítulo do livro de Eclesiastes).

Para quem pensa que enchente é modernidade em Campo Grande, o testemunho do repórter-fotográfico Roberto Higa exibido acima prova o contrário mostrando trecho da Avenida Mato Grosso logo acima do cruzamento com a Rua Bahia em um dia de chuva de 1973. 

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Postado por Marco Eusébio, 17 de Maio de 2011 às 14:22 - em: Garimpando história

Árbitro que virou colunista social narra o jogo que o Comercial não podia nem empatar...

A foto acima do acervo do repórter-fotográfico Roberto Higa mostra, da esquerda para a direita, o árbitro Victor Pinto Barbosa e o auxiliar (bandeirinha) Nilson Pereira em jogo Comercial x Flamengo no Morenão, em 1975. Eis a prova para quem não acreditava que, antes de virar colunista social dos VIPs de Campo Grande no extinto Diário da Serra, no fim dos anos 70, Nilson Pereira, hoje colunista do site Midiamax, foi árbitro de futebol profissional na época que os clássicos Comerário lotavam estádio e Operário e Comercial eram temidos no futebol regional e nacional. Para ilustrar essa época, vamos descrever uma história contada pelo próprio protagonista, que aconteceu no ano seguinte....

 

Em 1976 o Operário já estava garantido no Brasileirão por ter sido campeão estadual do então Mato Grosso uno e seu rival campo-grandense Comercial disputava a segunda vaga com o Mixto de Cuiabá. O árbitro Nilson Pereira, que na época trabalhava como repórter da editoria de Polícia do Diário da Serra, havia sido escalado para apitar a partida. Ele próprio conta que, na tarde daquele dia, recebeu um telefonema do bandeirinha vermelha (na época tinha bandeirinha vermelha e amarela) dizendo que queria conversar sobre o jogo de logo mais à noite. 

 
– “Fui levado pelo bandeirinha para falar com um advogado que tinha escritório na Rua 13 de Maio, próximo à agência do Bradesco. Lá ele falou que o Comercial precisava ganhar para participar do campeonato brasileiro, falou da rivalidade que existia entre Campo Grande e Cuiabá  etc e tal. Vi que tinha um cheque virado em cima da mesa dele e fiquei curioso para saber o valor. Quando me mostrou o cheque, vi que a grana daria para comprar um Fusca na época” – conta o ex-árbitro.
 
Nilson diz que recusou a proposta e pediu dez vezes aquele valor sabendo que os interessados na vitória do Comercial não iriam bancar.
 
– “Fui para o jornal e fiz uma carta endereçada ao major José Maraviesck (representante da Federação de Futebol de MT em Campo Grande) contando o acontecido e dizendo que se eles aceitassem pagar aquele valor exorbitante doaria o dinheiro ao Asilo São João Bosco. Por volta das 19h recebo o telefonema do mesmo advogado dizendo que não dava para pagar aquele valor. Diante da negativa, fui apitar o jogo. Mas, antes, no vestiário, chamei meus dois bandeirinhas e disse que se eu os pegasse favorecendo o Comercial (os dois tinham sido comprados) eu iria expulsá-los”, relembra Nilson Pereira. 
 
O Comercial não podia perder nem empatar o jogo para conseguir a vaga no brasileiro. O primeiro tempo terminou um a zero para o Comercial. Nilson Pereira conta que no intervalo, quando foi para o vestiário da arbitragem, encontrou três homens na porta. “Eles avisaram que se o jogo não terminasse com a vitoria do Comercial eu seria um homem morto”, relata. 
 
– “Voltei para o segundo tempo e o Comercial estava próximo de conquistar a vaga quando, aos 42 minutos, chamei o Bife, centro-avante do Mixto, e mandei ele cair na área. Lembro que o goleiro do Comercial era o paraguaio Higino Gamarra. O Bife caiu na área, aos 43 minutos e marquei pênalti para o Mixto. Bife bateu, marcou e o time cuiabano representou o Mato Grosso no campeonato brasileiro junto com o Operário. E eu... estou aqui para contar a história” – narra o ex-árbitro Nilson Pereira.

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Postado por Marco Eusébio, 12 de Maio de 2011 às 01:39 - em: Garimpando história

A saia justa da Marilu...

Baú da Marilu/Facebook/Reprodução

Candidata do antigo PFL apoiada pelo então prefeito Lúdio Coelho para sua sucessão em Campo Grande nas primeiras eleições de dois turnos, em 1992, a ex-vice-prefeita e deputada federal Marilu Guimarães teve de fazer sua campanha na maior saia justa. É que se multiplicavam em todo o Brasil os protestos contra Collor e Lúdio impedia que ela se manifestasse contra o presidente da época para não correr risco de o Planalto deixar a cidade sem recursos federais para os projetos municipais.

 

Collor pedia à população para usar verde-amarelo em seu apoio e caras-pintadas saíam às ruas com fita preta. O Brasil fervilhava e a candidata tinha de se conter. Numa passeata local contra o ex-presidente, marqueteiros colocaram Marilu em esquina da Rua Dom Aquino para ela andar pouco menos de uma quadra com o grupo e poderem filmar para o programa eleitoral. Um dia, preocupada, ela convocou a equipe e questionou:

 
– "O que vamos fazer?”
 
O staff da campanha sugeriu que ela fosse conversar com o prefeito. Desfilaram uma série de argumentos que, garantiram, convenceriam o homem. Pelo jeito não conheciam Lúdio Coelho. Quando Marilu acabou de falar, ele "concordou" avisando, entretanto, que sairia da campanha. Ela, obviamente, nem tentou insistir. 
 
A deputada só foi à alforria no dia da votação do Congresso, quando apareceu nas redes de televisão dizendo sim ao impecheament. Lúdio viu o voto bombástico da pupila pela TV. Apesar de hipertenso, não precisou dos remédios. Sabia que, àquela altura, já não haveria ninguém assumindo a defesa do ex-presidente...  
 
Quanto às eleições daquele ano, Marilú foi para o segundo turno, mas Juvêncio da Fonseca (PMDB) acabou virando prefeito.

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Postado por Marco Eusébio, 09 de Abril de 2011 às 14:09 - em: Garimpando história

Jovens tardes briguentas de Campo Grande...

Do acervo de Edson Contar para o Marco Eusébio in Blog www.marcoeusebio.com.br

Em uma "domingueira" do Rádio Clube de Campo Grande em 1954 na foto acima, da esquerda para a direita sentados Nelson Corrêa, Uriel Raghianti, Julio Nimer (atrás), Abdala Jalad, Benjamim Corrêa da Costa, Alfredo Scaff e Edson C. Contar. Em pé: Nicola, Ivon Moreira do Egito Fº, Salomão Ortiz, Sebastião Jorge Figueiredo e Felix Pedra. Um desses personagens, descendente do fundador da cidade, o jornalista e escritor Edson Contar, adaptou as reminiscências dessa época no artigo abaixo e enviou com a foto acima para deleite dos leitore(a)s da seção Garimpando História do Blog...

...Edson Contar(*)

Guerra & Paz - Nossa Juventude Briguenta (I)

Nos anos cinquenta, ninguém cheirava trigo, nem fumava folha de mandioca pra ficar valente. Rachas eram outra coisa e energéticos eram gemada, emulsão de scott e vinho reconstituinte Silva Araujo. Vai daí que a moçada era sadia e, pra descarregar energia, nada como uma boa briga, fosse por ciúmes, por ofensa às mães ou pelo simples prazer de brigar. Simplesmente, brigar!

Muitas vezes, a coisa começava do nada. Havia os especialistas em promover encrencas, provocando um lado e outro, atiçando (como se dizia à época) só pra ver o circo pegar fogo...

Bastava riscar o chão e dizer para os contendores:

- “Quem for mais homem, pisa aqui!”

Era o bastante para começarem os empurrões e dai pros socos e a platéia fazia uma roda, torcendo pra ver alguém sangrar pelo nariz.

Um dos palcos das grandes brigas, em Campo Grande, era o Rádio Clube...

No meu tempo, lembro-me da célebre briga do Arizinho Coelho de Oliveira com aspirantes Exército que aqui serviam e tomavam nossas namoradas. Ary, contando com o seu protetor, meu irmão Laurindo, enfrentou uma dúzia deles e acabou envolvendo todo mundo num bafafá que foi parar no meio da rua. Alí, Laurindo, enlouquecido com tanto murro que levava, acabou desferindo um direto em meu outro irmão, Eduardo, fantasiado de morcego negro, julgando ser um agressor que chegava pelas suas costas. Eduardo foi a nocaute e o valente Laurindo danou chorar que só...Arizinho subiu num jipe e derrubou o resto.

Outra refrega memorável, aconteceu na quadra de esportes, quando jogávamos contra o XV de novembro  uma partida de basquete. Os amigos Ecycles Ferreira e o brigão Uriel Raghianty se desentenderam e a turma da cizânia aproveitou pra botar lenha na fogueira. Começou ali, a mais longa briga que conheci até os dias de hoje. A luta foi parar na praça que ainda era mato e tinha uma clareira no meio. Brigaram por quase uma hora, sob aplausos dos sádicos torcedores. A certa altura, cansados e arrebentados, resolveram interrromper o combate, marcando para o dia seguinte, no mesmo horário e lugar, a continuação da briga que durou três dias e, ao final, abraços ensanguentados dos dois. Entenda quem puder. O Uri era um "rixoso juramentado" e, ao mesmo tempo, amigão sentimental.

E os irmãos Rondom? Saiam da frente!... João, o mais velho, arrumava encrenca e Lino, o mais novo entrava com tudo, arrasando a arrumação do clube e provocando uma briga generalizada que acabava em filas na Santa Casa, para curativos em geral. Eram muito bons de briga os “leões do Sena”.

Jayme Pimentel e seu irmão e escudeiro Rubens (Rubão) era outra dupla do barulho. Jaynme arrumava as brigas e o Rubão era quem segurava a bronca. Foram muitos os quebra-quebra promovidos pelos meninos no Rádio Clube, mesmo enfrentando a rígida educação imposta pelo pai, o saudoso professor Pimentel.

Fora dali, o mais encrenqueiro que conheci foi o Omar Raslan. Magrelo, pequeno e de pavio curto, encarava tudo e todos pra desespero do professor Nagib e tia Latife . Num verdadeiro ritual masoquista, Omar ia, diáriamente, até a praça (hoje chamada de Ary Coelho) que ficava em frente a sua casa e lá procurava uns engraxates com os quais tinha rixa antiga. Todos os dias, lá ia o Omar, xingar, provocar, até levar uma surra de seis “inimigos” e saia correndo, feliz da vida: - “Apanhei mas bati também!” dizia. Acreditem ou não, ele ainda arrumava tempo para ir ao Circulo Militar e lá arrumar mais uma briguinha, com o Ernani Figueiredo, e outros.

Certa vez, arrumamos rixa com alguns sargentos da Polícia do Exército, a temida PE. Resolvemos ir até a União dos Sargentos levando conosco o super Alfredo Scaff, fortão, enorme e bom de briga. Tudo pelo Omar!Resultado: o Scaff se mandou pra um canto e ficou rindo ao ver a gente levar tanta bolacha. Omar acabou desmaiado sobre uma bicicleta. Eu, Mujiquinha e Clodoaldo descemos ladeira abaixo, em frangalhos. 

Outros brigões célebres foram Walmir Floriano de Araujo, que não levava desaforo pra casa, chegando a enfrentar uma turma liderada por um italianinho que veio afrontá-lo, acompanhado de quatro amigos. Ia ser a maior surra , não fosse a interferência do irmão Waldir S Pereira Jr, que botou ordem no galinheiro e desafiou que apenas um deles enfrentasse o Walmir. Ninguém se habilitou e todos se salvaram. Walmir era outro que não aceitava um simples olhar de alguém... -"Tá olhando o que????"... Pronto, ninguém mais segurava!

O importante é que todos esses brigões acabaram se tornando adultos responsáveis, pais de familia e profissionais de destaque na cidade, calmos, inteiros, corretos e de boa paz!

Depois tem mais...O espaço acabou mas vem mais brigas por aí!

O Ministério da Saudade Adverte!...Brigar faz bem à saúde!

(*Edson C. Contar é jornalista e escritor, em Campo Grande-MS - reportur@yahoo.com.br)

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Postado por Marco Eusébio, 03 de Abril de 2011 às 21:26 - em: Garimpando história

A Caixinha do Adhemar...

Adhemar de Barros em 1936/Reprodução

Adhemar de Barros (foto) foi um dos mais influentes políticos de São Paulo e de todo o Brasil durante quase três décadas, dos anos 30 aos anos 60 do recente século passado. Médico, empresário e oriundo de família de tradicionais cafeicultores paulistas, suas campanhas eleitorais eram bem elaboradas e junto com o ex-deputado paulista Hugo Borghi (pioneiro no uso de slogans e do rádio nas campanhas), é considerado um dos pioneiros do marketing eleitoral no Brasil. Um dos slogans de campanha,  não assumido abertamente, era "Ademar rouba, mas faz". A frase teria sido cunhada por seu adversário, Paulo Duarte. Mas em vez de reclamar, ele se apoderou dela e a usou como lema de sua campanha para prefeito de São Paulo, em 1957, se promovendo em cima das inúmeras acusações de corrupção. Reza a lenda que, em um comício em Bauru (SP), Adhemar, batendo a mão no bolso, afirmou:

– "Neste bolso nunca entrou dinheiro do povo!" 

Na plateia, alguém teria gritado: 

– "De calça nova, né doutor?”

Seus adversários diziam também que existia a "Caixinha do Ademar" para financiar as campanhas eleitorais. Em reposta à crítica, após ser inocentado em denúncias de negociatas que se custaram uma época de exílio, Adhemar, ao voltar ao Brasil, encomendou a Herivelto Martins e Benedito Lacerda uma marchinha intitulada "A Caixinha do Adhemar", cuja letra dizia...

“Quem não conhece, Não ouviu falar

Na famosa “caixinha do Ademar”,

Que deu livro, deu remédio, deu estrada,

Caixinha abençoada (…)

Já se comenta de norte a sul

Com Adhemar tá tudo azul.

Deixa falar toda essa gente maldizente,

Deixa quem quiser falar (…)

Essa gente que não tem o que fazer
 
Faz de tudo, mas não cumpre seu dever

Enquanto eles engordam tubarões,

A caixinha defende o bem-estar de milhões”. 


Observadores da política nacional acreditam que Adhemar de Barros fez escola na política brasileira onde diversos políticos que vieram depois dele conseguiram se manter no poder mesmo diante de acusações de enriquecimento com o dinheiro público, adorados pelo povo através de boas campanhas de marketing e seguindo o mesmo lema, não assumido, de "rouba mas faz". Sobre essas acusações, estes, como Adhemar, com certeza continuam dizendo... deixa essa gente falar. 

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Clique no ícone abaixo e ouça a "Caixinha do Adhemar" na voz de Nelson Gonçalves...

Clique para ouvir o áudio

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Postado por Marco Eusébio, 22 de Março de 2011 às 20:00 - em: Garimpando história

Encontro de Lúdio Coelho e o Papa João Paulo II

Do acervo de Roberto Higa

O então prefeito Lúdio Coelho pede a benção de João Paulo II que visita Campo Grande em 1991 e celebra a missa na área que até hoje conhecida como Praça do Papa. João Paulo II se foi e em abril de 2005 faleceu. Nesta terça-feira em que Lúdio Coelho também se foi,  a foto acima foi postada como um reencontro histórico em sua página no Facebook por Roberto Higa, profissional que tem sintetizado a história de Mato Grosso do Sul em imagens captadas por suas lentes ao longo das últimas quatro décadas e como repórter-fotográfico faz parte dessa mesma história.


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Postado por Marco Eusébio, 19 de Março de 2011 às 13:41 - em: Garimpando história

Marx e resposta de Schimidt...

Eronildo Barbosa da Silva, professor da UFMS e historiador da política sul-mato-grossense, me contou que, uma vez, em visita a Coxim, conversava com o então presidente do PDT, João Leite Schimidt, e o assunto versou sobre grandes pensadores da política mundial. Quando o papo chegou a Karl Heinrich Marx, fundador da doutrina comunista moderna, Schimidt, um dos fundadores no estado do PDT brizolista inspirado no socialismo baseado no lema "Liberté, Egalité, Fraternité" da Revolução Francesa, demonstrou profunda desenvoltura ao discorrer sobre o tema. Desperto pela curiosidade reflexiva característica a um amante das letras e da história, Eronildo não conteve e pergunta:

– "Com esse pensamento, por quê você não é um comunista?"

Schimidt, que não é de beber, primeiro abriu uma cerveja. E só depois de deixar um rápido suspense aguçar ainda mais a expectativa de seu interlocutor, respondeu:

– "Porque o comunismo já tem sua verdade e eu estou sempre procurando".

Ciente de que verdades não são absolutas, mas relativas, pois dependem de quem vê o fenômeno observar sua aparência ou sua essência, o professor Eronildo quase deu nota dez à resposta. 

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Sem verba de gabinete nem carrões, o bloco de quatís foi flagrado na semana que antecedeu este carnaval fazendo a festa no estacionamento privativo dos deputados na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul se deliciando com frutinhas silvestres que caem de árvore no local. A imagem foi feita pela fotógrafa Marycleide Vasques para a seção FOTO SÍNTESE do Blog. Além de feras da política e agregados do poder, espécies nativas do cerrado são comuns no Parque dos Poderes, sede político-administrativa de Mato Grosso do Sul incrustrada em área de preservação ambiental em Campo Grande.

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