• Campo Grande, Sexta-Feira , 24 de Março - 2017
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Garimpando História

Tancredo e as diretas já!

  • Arquivo O Globo/Reprodução

    Tancredo Neves, o informante estratégico


Postado por Marco Eusébio, 23 de fevereiro de 2017 às 15:45 - em: Garimpando Historia

Do Gaudêncio Torquato em suas Porandubas Políticas:
 
"Durante a campanha pelas Diretas Já, em 1983/84, o jornal Folha de S.Paulo transformou o assunto em sua bandeira, até com uma fitinha verde-amarela no alto da primeira página. Noticiário e editoriais davam como garantida a vitória da emenda que devolvia ao país as eleições diretas para presidente da República, depois de 20 anos de ditadura - a emenda Dante de Oliveira. 
 
O jornal cantava a vitória e abria fotos do povo nas praças. A contagem a favor só crescia. Seu concorrente o Estado de S. Paulo era mais sóbrio e cauteloso e tinha lá seus motivos. Um deles, um informante especial em Brasília. Ao ser questionado sobre a contagem da Folha, que dava mais de cem votos a favor da emenda, o informante deu uma boa risada ao telefone e completou assim a conversa :
 
– Meu filho, fique tranquilo, eles não sabem contar.
 
Era Tancredo Neves."
 

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O finado Manoel...

  • Fotos Arquivo/Reprodução

    José Valdetário Benevides, o Valdetário Carneiro


Postado por Marco Eusébio, 22 de dezembro de 2016 às 12:00 - em: Garimpando Historia

 
"O lendário Valdetário Carneiro contribuiu para os causos de Caraúbas/RN.
 
Ia ele em sua pick up na zona rural de Apodi. Próximo à cidade, um senhor meio alquebrado pelos anos acenou pedindo carona. Valdetário prontamente o atendeu, abrindo a porta. Já aboletado e no conforto do ar condicionado, começou a puxar conversa:
 
– O senhor vai pro Apodí ?
 
– Vou sim -, respondeu Valdetário, vou tratar de negócios no banco.
 
O carona resolveu dar uma de conselheiro:
 
– O senhor tenha cuidado. Se vai tirar dinheiro no banco e andando nesse carrão, aqui por essas bandas, tenha cuidado pois há gente perigosa por aí. Tem um tal de Valdetário Carneiro, homem de muita fama que pode ser um grande risco, principalmente pra quem é de fora.
 
Valdetário riu da situação e até agradeceu:
 
– Obrigado, eu vou ficar atento.
 
Em seguida devolveu a pergunta:
 
– E o senhor não tem medo de estar sozinho nessa beira de estrada? E se de repente lhe aparece o tal do Valdetário Carneiro?
 
– Ele que venha - completou o carona com valentia de quem se sente em confortável distância do perigo. E acrescentou: '– Um homem nasceu pro outro.'
 
Chegados ao destino, o carona já ia descendo quando resolveu fazer mais uma pergunta.
 
– Obrigado por tudo, senhor. Vá com Deus. Mas como é mesmo o seu nome?
 
Com toda naturalidade Valdetário respondeu:
 
– Eu sou Valdetário Carneiro. E o senhor como se chama ?
 
Branco como algodão, suando pelos poros, com as pernas trêmulas e a voz embargada, o carona mal conseguiu balbuciar:
 
– Eu sou o finado Manoel."
 

 

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Zé Pequeno, o amigo do governador

  • Reprodução

    Estátua de Dinarte Mariz na Via Costeira, que leva seu nome, em Natal


Postado por Marco Eusébio, 10 de novembro de 2016 às 09:00 - em: Garimpando Historia

Do Gaudêncio Torquato em suas Porandubas Políticas:
 
"Dinarte Mariz (UDN) era governador do Rio Grande do Norte. Em uma de suas costumeiras visitas à Caicó, visitou a feira da cidade, acompanhado da sempre presente Dona Nani, secretária de absoluta confiança. Dá de cara com um amigo de infância e logo pergunta :
 
– 'Como vai, Zé Pequeno?'
 
O amigo, meio tristonho e cerimonioso, responde:
 
– 'Governador, o negócio não tá fácil; são oito filhos mais a mulher... tá difícil alimentar essa tropa vivendo de biscate. Mas vou levando até Deus permitir.'
 
O velho Dinarte o interrompe de pronto :
 
– 'Zé, que é isso, homem, deixe essa história de governador de lado. Sou seu amigo de infância, sou o Didi!'
 
Vira-se para Dona Nani e ordena:
 
– 'Anote o nome do Zé Pequeno e o nomeie para o cargo de professor do Estado.'
 
Na segunda-feira, logo no início do expediente, Dona Nani entra na sala de Dinarte e vai logo informando:
 
– 'Governador, temos um problema, o Zé Pequeno, seu amigo, é analfabeto; como podemos nomear...'
 
Antes que concluísse a fala, o governador atalha:
 
– 'Virge Maria, Dona Nani! O Rio Grande do Norte não pode ter um professor analfabeto. Aposente o homem imediatamente.' 
 
E assim foi feito!"
 

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MS 39 anos, superando crises!

  • Fotos Aquivo Histórico (Arca) e acervo Roberto Higa/Reprodução

    Criação de MS assinada por Geisel comemorada em Campo Grande


Postado por QMarco Eusébio, 11 de outubro de 2016 às 15:00 - em: Garimpando Historia

Mato Grosso do Sul completa hoje 39 anos de sua criação pela Lei Complementar nº 31 assinada no dia 11 de outubro de 1977 pelo então presidente Ernesto Geisel, desmembrando o antigo Mato Grosso uno. Realizava-se ali um antigo sonho dos divisionistas que se iniciou no começo do século passado. Mas, desde o início, as divergências e rivalidades políticas marcaram os rumos do Estado que então nascia.
 
Os três primeiros senadores – Pedro Pedrossian, Mendes Canale e Rachid Saldanha Derzi – queriam a cadeira de governador. Sem acordo entre eles, o novo Estado começou a ser governado por um forasteiro. Geisel convocou o gaúcho Harry Amorim Costa, presidente do antigo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), e o nomeou como primeiro governador de MS. 
 
Incomodadas com o "intruso", lideranças locais deram uma trégua em suas disputas, se uniram em pressões políticas e Harry foi substituído por Marcelo Miranda, que por sua vez também enfrou fortes adversários e acabou "trocado" pelo governo militar por Pedrossian que comandou o Estado até as primeiras eleições diretas, que elegeram Wilson Martins governador em 1982. 
 
Durante o processo de criação chegou a ser formulado em Cuiabá um projeto daria ao novo Estado o nome de Campo Grande. As divergências, entretanto, não permitiram um acordo em torno de um nome. E, em cima da hora, optaram pela solução mais prática - acrescentar "do Sul" ao nome do antigo estado para a região em emancipação. Assim, surgiu a denominação Mato Grosso do Sul, que até hoje leva moradores de outras regiões a confundir os dois estados, irritando os sul-mato-grossenses.
 
Vale citar que antes da divisão do Mato Grosso uno, havia um temor em Cuiabá de que o novo Estado do sul disparasse em desenvolvimento por sua proximidade com grandes centros como São Paulo, mais facilidade de acesso aos portos e por ser dotado de ferrovia, enquanto o norte ficaria para trás, à deriva. Quatro décadas depois, essas "profecias" e temores não se cumpriram. A famosa ferrovia da Noroeste do Brasil (NOB) foi sucateada no sul, enquanto o norte seguiu seu ritmo.
 
E, apesar das rivalidades políticas, as vezes acirradas, mas também necessárias, entre erros e acertos Mato Grosso do Sul vem superando crises e segue em frente como um dos principais celeiros da agropecuária, além de avançar nos setores do comércio e indústria e fomentar sua vocação turística aprendendo a explorar de forma sustentável seus encantos naturais, como a paradisíaca Bonito e a região do Pantanal. 
 
Pelas lutas e encantos... parabéns aos sul-mato-grossenses pelos 39 anos de história!
 

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Essa história vem de longe...

  • Ilustração/Reprodução

    Colbert e Mazarin: ataque à classe média desde a época de Luís XIV


Postado por Marco Eusébio, 23 de setembro de 2016 às 09:00 - em: Garimpando Historia

Do Gaudêncio Torquato em Porandubas Políticas:
 
"Diálogo entre Colbert e Mazarino, durante o reinado de Luís XIV, na peça teatral Le Diable Rouge, de Antoine Rault:
 
Colbert: Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, senhor superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço.
 
Mazarino: Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar na prisão. Mas o Estado é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se. Todos os Estados o fazem!
 
Colbert: Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?
 
Mazarino: Criando outros.
 
Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
 
Mazarino : Sim, é impossível.
 
Colbert: E sobre os ricos ?
 
Mazarino: Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
 
Colbert: Então como faremos ?
 
Mazarino: Colbert, tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos. Cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!"
 

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Há 31 anos, Michel já enfrentava 'Fora Temer'

  • Fotos Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr e Estadão/Arquivo

    Marcela e Temer no desfile em Brasília: protestos hoje e há 31 anos


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