Diante das tentativas da ministra Tereza Cristina (Agricultura) de retomar a exportação de carne in natura brasileira para os Estados Unidos, a BBC contou a história de um fazendeiro dos EUA para explicar a dificuldade de abertura desse mercado. Cita o caso de Christopher Gibbs, de 61 anos, fazendeiro do estado de Ohio, que apoiou a eleição de Donald Trump, mas acabou prejudicado com a guerra comercial travada pelo atual presidente com a China. Sob justificativa de proteger o mercado nacional e o direito à propriedade intelectual de empresas de tecnologia americanas, Trump impôs tarifas a produtos chineses em 2018. Em resposta, a China taxou a produção agrícola dos Estados Unidos. Isso atingiu em cheio os produtores rurais dos EUA, cujos produtos estão com preços abaixo da produção. No prejuízo, os fazendeiros de lá não querem saber da carne brasileira em seu mercado interno.
"Eles alegaram lá algumas questões menores de fiscalização sanitária, às quais já respondemos. A verdade é que eles não querem abrir o mercado porque o produtor brasileiro é hoje mais eficiente que o americano e a carne brasileira é mais barata", explicou à BBC um diplomata envolvido nas negociações. O Brasil, por sua vez, vive um ótimo momento com a venda de carne e soja para a China, o que faz subir os preços nacionais. Conforme a BBC, a "própria ministra Tereza Cristina reconhece que talvez sequer houvesse oferta brasileira disponível para o mercado americano, mas o Brasil quer receber o reconhecimento dos EUA de que sua carne in natura é aceita nesse mercado". Leia a íntegra aqui na BBC Brasil.
A ministra Tereza Cristina (Agricultura) assinou em Nova Iorque ontem memorando de entendimento com a organização não governamental Climate Bonds Initiative (CBI) para desenvolvimento do mercado de títulos verdes do setor agropecuário brasileiro, visando estimular novas fontes de financiamento ao setor, promovendo práticas e tecnologias sustentáveis. Esse tipo de iniciativa é possível com a edição da Medida Provisória do Agro (MP 897/2019), que estabelece mecanismos para investimento no setor rural brasileiro e aguarda aprovação do Congresso. "Esta medida provisória também contribuirá para intensificar o segmento das finanças verdes no Brasil, com destaque para investimentos em Green e Climate Bonds", disse a ministra em discurso no encontro sobre oportunidades de investimento na agricultura brasileira. Conforme dados da Climate Bonds Initiative e Green Bond Data, no ano passado foram investidos US$ 167 bilhões de títulos verdes. Tereza citou uma usina de São Paulo que será a primeira empresa no mundo a emitir títulos de dívida verdes certificados para bioenergia. O ministério informa que está prevista a emissão de cerca de US$ 50 milhões em títulos recebíveis do agronegócio (CRA), certificados pela CBI, o que deve atrair investidores interessados em elevar sua participação em projetos limpos.
Na ocasião, assinei memorando de entendimento com a ONG Climate Bonds Initiative para o desenvolvimento do mercado de títulos verdes do setor agropecuário brasileiro.
— Tereza Cristina (@TerezaCrisMS) November 21, 2019
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A ministra Tereza Cristina (Agricultura) disse via WhatsApp a pouco ao Blog que saiu otimista da reunião hoje com o secretário da Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, em Whashington, quando conversaram sobre vários assuntos, dentre eles a suspensão à importação de carne bovina in natura do Brasil desde 2017. Conforme a ministra, o governo dos EUA está finalizando a análise dos dados que o Brasil enviou e deve dar um posicionamento em algumas semanas. "Vamos aguardar uma decisão deles, eu espero que seja breve mesmo, pela nossa conversa", afirmou Tereza, que já está em Nova Iorque, onde terá novas reuniões amanhã "para atrair investimentos para o agronegócio brasileiro". "Falamos também sobre a necessidade de trabalharmos em conjunto pela expansão mundial do uso do etanol, de modo a tornar a commodity produzida por ambos os países um produto global", disse Tereza. Em fevereiro do ano que vem, a ministra deve voltar aos Estados Unidos para conversar com Perdue sobre a ampliação do AG-5, grupo que reúne os Estados Unidos, Brasil, Argentina, Canadá e México, com a entrada de mais dois países exportadores de grãos.
Reunião com o secretário de Agricultura dos EUA @SecretarySonny. Conversamos sobre a ampliação do escopo de atuação do Ag-5, grupo formado por ????????????????????????????????????????. A ideia é explorar nossas similaridades, como a defesa da ciência na definição de padrões sanitários e fitossanitários. pic.twitter.com/UnLkYZS9Xp
— Tereza Cristina (@TerezaCrisMS) November 20, 2019
O senador Nelsinho trad (PSD-MS), presidente da Comissões de Relações Exteriores (CRA) que tem no Senado a atribuição de avaliar as indicações para embaixadas, disse hoje ao Blog que aguarda a indicação a ser feita pelo presidente Jair Bolsonaro do diplomata Nelson Forster ao cargo de embaixador do Brasil em Washington, depois da desistência do deputado Eduardo Bolsonaro (leia aqui). "Confirmado, agora estamos aguardando o nome dele ser enviado pelo Itamaraty", disse o senador em áudio (ouça abaixo). Nelsinho afirmou que após a indicação chegar à comissão vai designar um relator e "em quinze dias a sabatina será realizada" para que o nome siga ao plenário, onde os senadores deverão aprovar ou não a indicação para a Embaixada nos Estados Unidos.