Papo de Arquibancada


Clube de maior tradição da história do futebol de Mato Grosso do Sul, o Operário campo-grandense completou 72 anos sem ter o que comemorar. Sem estrutura perdida por uma série de más gestões nas últimas décadas, o clube, que em nível nacional chegou ser o mais temido do Mato Grosso uno e do novo estado que nasceu da divisão, sobrevive hoje apenas da tradição do nome, depois de ter toda sua estrutura depredada ao longo das últimas décadas. E continua de mal a pior. Neste ano não conseguiu ao menos sair da amadora segunda divisão estadual, onde foi parar no ano anterior, pela primeira vez em sua história que já foi gloriosa.


Muita gente reclama da falta de apoio por parte de empresas e do poder público. Mas é bom ficar claro que este só virá se houver uma junta administrativa que tenha esse respaldo, pois ninguém, seja político ou empresário, investe no que não acredita. Ou seja, o caminho para que o Galo consiga se revigorar é apontado, curiosamente, por seu principal rival, o Comercial, que, mesmo enfrentando situação bastante semelhante, está aos poucos se reerguendo graças a uma diretoria que conta com respaldo político e empresarial.


Por isso, quem diz ter amor pelo clube deveria ir além das palavras. E em casos como este, em que não se consegue salvar o ente amado, a maior prova de amor é deixar o egoísmo de lado e abrir mão para que a própria instituição Operário possa vir a ser gerida por uma junta administrativa formada por lideranças empresariais com capacidade para atrair investimentos e com respaldo junto às lideranças políticos regionais. Só com o Galo exibindo credibilidade e empenho além da força de vontade, poderemos voltar a reviver os grandes clássicos Comerários no Morenão necessários ao real fortalecimento dos dois clubes, numa rivalidade salutar. Só assim poderão atrair novos torcedores e o Galo poderá voltar a ter o que comemorar com sua torcida. O Operário continua tendo "amor e tradição", como diz seu hino, mas falta a garra que, numa hora de dessas, se traduz em entender que essa tradição deve ser maior que interesses pessoais e desagarrar o Galo, deixando-o livre para voltar a se fortalecer.

 

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Uma das maiores revelações do futebol brasileiro nos últimos anos ao lado de seu colega de equipe Paulo Henrique Ganso, o moleque bom de bola e atrevido Neymar disse  não ao salário de aproximadamente 4 milhões de euros por ano, mais luvas. O motivo: quer se estabelecer como ídolo do Santos que consagrou o maior ídolo do futebol de todos os tempos justamente porque não ficava trocando de time, quer conquistar títulos e, obviamente, se firmar na Seleção Brasileira onde acaba de chegar precocemente pouco depois de completar 18 anos. E hoje mostrou maioridade. Não é qualquer um que chega tão cedo a sábia conclusão que dinheiro não é tudo na curta vida. Afinal o garoto já ganha muitas vezes mais com os pés do que a maioria absoluta de pós-graduados possam sonhar em receber mensalmente. Várias outras revelações do futebol brasileiro desapareceram pensando só na tal independência financeira, vendendo a chance de se consagrar sim pelo talento que lhes foi divinamente concedido. Como se diz, tudo na vida tem um preço.


E, obviamente, Neymar não disse fico apesar pelo tal amor à camisa. O garoto recebia o "modesto" salário de R$ 160 mil por mês deve passar a ganhar mais de R$ 500 mil mensais (ou muito mais) através de novo contrato com participação em patrocínios na camisa do Santos etc., como o Corinthians faz com Ronaldo e o próprio Santos fez com Robinho, que, por sinal, só voltou ao Brasil pra poder brilhar de novo pois andava apagando na Europa, coisa que o garoto e seus conselheiros parecem não querer arriscar. Com o novo contrato, de cinco anos, o Santos também se garantiu. A multa rescisória passou de 35 para 45 milhões de euros, pouco mais de R$ 100 milhões.


Se Edson Arantes do Nascimento tivesse saído cedo do Santos – de onde na verdade nunca saiu, pois só jogou no Cosmos depois da aposentadoria – poderia até ter ganho mais dinheiro em um determinado momento, mas nunca viraria a marca registrada do futebol que lhe gera dividendos perenes que serão explorados por seus herdeiros por muitas e muitas temporadas. Vale destacar também o papel do presidente do Santos, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro por "segurar" Neymar. A maioria prefere vender a galinha dos ovos de ouro só pensando no momento. Ribeiro demonstra inteligente consciência de que o momento do Peixe é de engorda, já que o clube voltou a ser um dos mais falados na mídia nacional (senão o mais), patrocínios estão entrando em caixa, sem contar que há outros talentos a "negociar" sem ter de vender a estrela maior.


Não é por acaso, inclusive, que o Santos anunciou também hoje a venda do volante Wesley para o Werder Bremen, da Alemanha, por 10 milhões de euros (R$ 22,6 milhões), valor da multa rescisória. Vale frisar que neste caso havia outros interessados nos lucros da negociação. Do montante, só 35% vão pra Vila Belmiro (R$ 7,91 milhões). O grupo de investimento Dis fica com 25%. Os 40% restantes estão divididos entre o jogador e o seu agente.


Voltando a Neymar, o "maior idade" afirmou na coletiva:


– "Espero ser exemplo para outros jogadores. Que pensem bem e fiquem mais tempo em seus clubes do coração, que façam mais gols aqui, que se desenvolvam aqui", disse Neymar ao anunciar em entrevista coletiva seu "dia do fico” no Santos nesta quinta-feira. E que os deuses do futebol, como diria o genial Armando Nogueira, digam amém!

 

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Festa vermelha no Rio Grande e nos CTGs de todo o planeta: o Internacional conquistou o bicampeonato da Libertadores nesta noite de quarta-feira derrotando, de virada, por 3 a 2, o Chivas de Guadalajara, em Porto Alegre. Por ter vencido por 2 a 1 o jogo de ida no México, o Colorado precisava apenas do empate, mas aos 42 do primeiro tempo Fabian abriu o placar para o Chivas levando um clima de expectativa no Beira-Rio pois o resultado levaria o jogo para prorrogação. Mas no segundo tempo a coisa foi bem diferente e em meio a pancadarias mexicanas o Inter reagiu. Primeiro voltou a brilhar a estrela de Rafael Sóbis que havia sido decisivo no primeiro título em 2006 e empatou a partida. Depois veio a virada com gol do garoto Leandro Damião que conquistaria minutos depois seu primeiro título como profissional, prometendo ser uma grande revelação. E, por fim, brilhou a estrela de Giuliano, o chamado talismã colorado, que tem tudo para ir parar na Seleção. No finalzinho, Omar Bravo marcou o segundo do Chivas, mas era tarde. Com a vitória, o Internacional entrou para o seleto time de clubes brasileiros bicampeões da Libertadores, junto com Santos (1962 e 1963), Cruzeiro (1976 e 1997) e seu maior rival, o Grêmio (1983 e 1995). Só o São Paulo, que o Inter eliminou da competição nas duas conquistas do título, é tricampeão. Logo após a partida, o principal jornal gaúcho divulgou em seu site um caderno especial para o Bicampeão Colorado. Confira clicando aqui em Zero Hora.

 

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