Garimpando História


Benedito Valadares foi nomeado interventor de Minas por Getúlio Vargas na década de 1930

Silvio entrevistou Jânio sobre a possibilidade de ele disputar a Prefeitura de São Paulo em 1988

'Santinhos' do Brigadeiro Eduardo Gomes na campanha presidencial de 1945

 
"O caso é verídico. O farmacêutico Claodemiro Suzart, candidato do PTB à prefeitura de Feira de Santana, decidiu fazer o comício de encerramento da campanha na rua do Meio, na zona do meretrício. E jogou o verbo: "o povo precisa estudar a vida dos candidatos, desde o nascimento deles, os lugares onde nasceram, para saber em quem votar direito". Por exemplo, Arnold Silva, da UDN, nasceu em Palácio, nunca falou com o povo. O que ele é?
 
– Candidato dos ricos - gritava a multidão.
 
– É isso mesmo. Não pode ter o voto de vocês. E Fróes da Mota, candidato do PSD, nunca sentiu o cheiro de povo. Só gosta mesmo é do gado de sua fazenda. O que ele é?
 
– Candidato dos fazendeiros - delirava a galera.
 
– Isso mesmo. Não pode ter o voto do povo. Já eu, meus amigos, nasci aqui, nesta rua do Meio, a mais popular de Feira de Santana. E eu, meus amigos, o que eu sou?
 
Lá do fundo da turba, um gaiato soltou a voz:
 
– Filho da puta.
 
O comício acabou ali."




Jânio Quadros com Fidel Castro durante encontro em Cuba, em 1960

Ex-presidente Juscelino Kubitschek foi preso na noite em que o AI-5 foi decretado pelo governo militar em 1968

 
"Velhos tempos. Tempos de deboche e criatividade. O deputado Luís Viana Neto estava na tribuna da Câmara:
 
– Filho e neto de governadores da Bahia...
 
Lá embaixo, o deputado Francisco Studart (MDB/RJ) gritou:
 
– Não apoiado!
 
– Senhor deputado, sou filho e neto de governadores da Bahia.
 
– Perdão, excelência. Entendi mal. Entendi: 'Filho inepto de governadores da Bahia'...
 
Risadas gerais em plenário."




Doria Júnior e seu pai, o publicitário João Agripino da Costa Doria, que adaptou o 'Valetine's Day' para o Brasil

Por Tiago Cordeiro, na Gazeta do Povo:

 

"Nos Estados Unidos e em boa parte da Europa, o Dia dos Namorados é comemorado no dia 14 de fevereiro. É a festa de São Valentim, um mártir da igreja que foi assassinado no ano 269. Mas Valentim não é popular no Brasil. Um publicitário baiano radicado em São Paulo resolveu relacionar a celebração do amor a outra figura, bem mais próxima do nosso imaginário: Santo Antônio.
 
O padroeiro dos casamentos é celebrado no dia 13 de junho. Pois o nosso Dia dos Namorados ficou para um dia antes, dia 12. Afinal, primeiro de namora. Depois, se casa.
 
O publicitário em questão é João Agripino da Costa Doria, pai do atual prefeito de São Paulo, João Doria Junior. Nascido em 1919, ele trocou a Bahia pelo Rio de Janeiro em 1942 e, dois anos depois, começou a carreira na publicidade como redator da empresa Standard Propaganda S.A.
 
Em 1945, assumiu a direção da filial da agência em São Paulo. Em 1948, ele se viu diante de um desafio: impulsionar as vendas da rede de lojas de roupas Exposição – Clíper.
 
O Dia das Mães garantia os lucros de maio. A data era popular no Brasil desde a década de 1910, mas apenas nos anos 1940 havia se tornado um fenômeno comercial. Faltava um fenômeno parecido em junho. Foi quando João Doria teve a sacada de relacionar uma nova data ao santo casamenteiro.
 
O anúncio impresso ignorava o fato de que, em quase todo lugar, o dia dos namorados é comemorado em fevereiro: 'Êste (sic) é o dia em que no mundo inteiro as criaturas que se amam trocam juras de amor e ternos presentes...' E finalizava: 'Não se esqueçam: amor com amor se paga'.
 
Publicitário de sucesso, João Doria acabou criando a própria agência em São Paulo. Depois fez um rápido retorno a Salvador, onde foi um dos criadores do marketing político. Eleito deputado, seria cassado pela ditadura em 1964. Depois de dez anos de exílio, retornaria a São Paulo, onde viveria até a morte, em 2000."





Tancredo Neves, o informante estratégico
 
"Durante a campanha pelas Diretas Já, em 1983/84, o jornal Folha de S.Paulo transformou o assunto em sua bandeira, até com uma fitinha verde-amarela no alto da primeira página. Noticiário e editoriais davam como garantida a vitória da emenda que devolvia ao país as eleições diretas para presidente da República, depois de 20 anos de ditadura - a emenda Dante de Oliveira. 
 
O jornal cantava a vitória e abria fotos do povo nas praças. A contagem a favor só crescia. Seu concorrente o Estado de S. Paulo era mais sóbrio e cauteloso e tinha lá seus motivos. Um deles, um informante especial em Brasília. Ao ser questionado sobre a contagem da Folha, que dava mais de cem votos a favor da emenda, o informante deu uma boa risada ao telefone e completou assim a conversa :
 
– Meu filho, fique tranquilo, eles não sabem contar.
 
Era Tancredo Neves."