Do Gaudêncio Torquato em suas Porandubas Políticas:
"O caso é verídico. O farmacêutico Claodemiro Suzart, candidato do PTB à prefeitura de Feira de Santana, decidiu fazer o comício de encerramento da campanha na rua do Meio, na zona do meretrício. E jogou o verbo: "o povo precisa estudar a vida dos candidatos, desde o nascimento deles, os lugares onde nasceram, para saber em quem votar direito". Por exemplo, Arnold Silva, da UDN, nasceu em Palácio, nunca falou com o povo. O que ele é?
– Candidato dos ricos - gritava a multidão.
– É isso mesmo. Não pode ter o voto de vocês. E Fróes da Mota, candidato do PSD, nunca sentiu o cheiro de povo. Só gosta mesmo é do gado de sua fazenda. O que ele é?
– Candidato dos fazendeiros - delirava a galera.
– Isso mesmo. Não pode ter o voto do povo. Já eu, meus amigos, nasci aqui, nesta rua do Meio, a mais popular de Feira de Santana. E eu, meus amigos, o que eu sou?
Lá do fundo da turba, um gaiato soltou a voz:
– Filho da puta.
O comício acabou ali."
"O barulho em torno da possível prisão de Lula pode ser justificado por vários motivos, mas não se venha com um 'nunca antes na história desse país'. Com efeito, isso se prova com fatos. Não foi um, nem foram dois os presidentes que já estiveram no xadrez. Foram cinco: Hermes da Fonseca, Washington Luís, Artur Bernardes, João Fernandes Café Filho e Juscelino Kubitschek. Lula será o hexa? Quem viver, verá" diz a resenha do Migalhas jurídicas ao lembrar (leia aqui) as prisões dos cinco para desmistificar a conversa de 'nunca antes".
Do Gaudêncio Torquato em suas Porandubas Políticas:
"Velhos tempos. Tempos de deboche e criatividade. O deputado Luís Viana Neto estava na tribuna da Câmara:
– Filho e neto de governadores da Bahia...
Lá embaixo, o deputado Francisco Studart (MDB/RJ) gritou:
– Não apoiado!
– Senhor deputado, sou filho e neto de governadores da Bahia.
– Perdão, excelência. Entendi mal. Entendi: 'Filho inepto de governadores da Bahia'...
Risadas gerais em plenário."
Do Gaudêncio Torquato em suas Porandubas Políticas:
"Durante a campanha pelas Diretas Já, em 1983/84, o jornal Folha de S.Paulo transformou o assunto em sua bandeira, até com uma fitinha verde-amarela no alto da primeira página. Noticiário e editoriais davam como garantida a vitória da emenda que devolvia ao país as eleições diretas para presidente da República, depois de 20 anos de ditadura - a emenda Dante de Oliveira.
O jornal cantava a vitória e abria fotos do povo nas praças. A contagem a favor só crescia. Seu concorrente o Estado de S. Paulo era mais sóbrio e cauteloso e tinha lá seus motivos. Um deles, um informante especial em Brasília. Ao ser questionado sobre a contagem da Folha, que dava mais de cem votos a favor da emenda, o informante deu uma boa risada ao telefone e completou assim a conversa :
– Meu filho, fique tranquilo, eles não sabem contar.
Era Tancredo Neves."