Heitor Freire (*)
Viver ou existir?
A vida, esse enigma constante que nos envolve permanentemente se apresenta num sistema dual: viver ou existir?
A seguir, diferentes conceitos sobre essas duas questões que, naturalmente, merecem uma meditação consciente e decisiva para orientarmos nossa encarnação.
Existir é a condição biológica de estar presente no mundo, respirar e cumprir a trajetória entre o nascimento e a morte. Viver é a ação de dar propósito a esse tempo, envolvendo atitude, emoção, liberdade de escolha e busca por sentido. Enquanto existir é passivo, viver é ativo e raro.
Viver é diferente de existir porque existir é apenas estar vivo biologicamente, enquanto viver é sentir, criar memórias, ter propósito e fazer a diferença. Viver exige sair da rotina, sair do automático, viver no agora, ter coragem de experimentar, amar e interagir, transformando dias comuns em histórias memoráveis, ao invés de apenas passar pelo tempo, assumir equívocos, trabalhando para reconduzir nossa existência. Ter o comando de nossas ações. É a arte de amar, criar conexões, sentir prazer, aprender, evoluir, deixar marcas. Sentindo-se feliz por existir, aproveitando cada momento. A vida é feita de momentos.
Fernando Pessoa, dizia que “viver é a coisa mais rara do mundo”.
Filosoficamente – sempre procuro ver o ponto de vista da filosofia – há uma diferença, enquanto existir é um fato biológico e inato, estar no mundo, ocupar espaço e tempo, sobreviver, já viver é uma ação ativa e consciente, exige engajamento e paixão, transformando a mera existência mecânica em uma experiência significativa, pessoal e plena.
Principais diferenças filosóficas:
Em primeiro lugar, o fato. Existir, é a condição orgânica de "ser", a presença física no mundo, muitas vezes automática ou mecânica. Pode ser comparado a apenas sobreviver, consumindo recursos sem um objetivo profundo.
Em segundo lugar, o sentido. Viver, é uma construção humana que envolve o "como" se passa pelo tempo. Inclui sonhar, aprender, sentir, ter liberdade, criar e conectar-se consigo e com os outros.
Em terceiro lugar, consciência e propósito: Viver é examinar a própria vida e agir com intenção, em vez de apenas seguir o fluxo automático (o "seguir a manada").
Em quarto lugar, a abordagem existencialista: Frequentemente, a filosofia (como o existencialismo) sugere que a existência precede a essência, ou seja, existimos primeiro e depois definimos quem somos através de nossas ações e escolhas conscientes.
Mais diferenças: Existir (Passividade): É apenas seguir a rotina, "consumir oxigênio", sobreviver sem um sentido profundo. É a presença física, o "básico".
Viver (Atividade): Envolve tomar as rédeas da própria história, ter paixões, criar conexões e assumir responsabilidade pelas escolhas. É "coragem" de ouvir o coração e não apenas seguir regras.
A raridade: Como dito por Oscar Wilde, a maioria das pessoas apenas existe, enquanto viver é aproveitar a vida de forma plena.
Em suma, existir é um fato, viver é uma arte que exige empenho e propósito.
Enfim, existir é um estado, viver é uma arte que envolve coragem para fazer o coração vibrar, saindo da repetição automática.
Entonces, aprendamos a viver.
(*Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado)
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Postado por: Heitor Freire (*), 28 Abril 2026 às 11:45 - em: Falando Nisso