Terceirização da saúde em Campo Grande gera críticas e aumenta temor da população
Anna Gomes/Midiamax Reprodução
A proposta da Prefeitura de Campo Grande de terceirizar unidades da rede municipal de saúde por meio de Organizações Sociais (OS) provocou reação de alguns vereadores nesta semana e acendeu o alerta na população, já preocupada com a precariedade do sistema que só tem piorado a cada ano. A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) estuda implantar um projeto piloto nos CRSs do Tiradentes e Aero Rancho, hoje responsáveis por cerca de R$ 4,3 milhões mensais em custos. A terceirização também preocupa médicos, odontólogos e outros profissionais do setor gerou protesto de servidores da saúde na Câmara ontem.
O vereador Landmark Rios (PT) classificou a proposta como “gambiarra” para esconder falhas da administração pública na área da saúde. “Isso que estão tentando fazer é uma gambiarra para maquiar a incompetência da gestão da saúde. Não resolve o problema, só empurra para frente e coloca a população em risco”, afirmou. Para ele, a solução não é terceirizar, mas investir na estrutura e nas equipes do SUS. Na mesma linha, a vereadora Luiza Ribeiro (PT) alertou que a privatização costuma surgir após o enfraquecimento do serviço público, aumentando a insatisfação dos usuários.
Luiza também destacou que, mesmo com gasto superior a R$ 2,3 bilhões em saúde em 2025, a população ainda enfrenta filas, falta de estrutura e dificuldades no atendimento — cenário que, segundo ela, gera preocupação com a transferência da gestão para entidades privadas. Parlamentares temem ainda perda de controle público, precarização do trabalho, falta de transparência e possível piora na qualidade do serviço.
O presidente do Sindicato dos Odontólogos de Mato Grosso do Sul (Sioms), Davi Chadid, também se posicionou contra a proposta e alertou para riscos relacionados à transparência e ao controle dos recursos públicos. “A OS abre mais porta para corrupção, porque os mecanismos de controle são mais frouxos. Você paga por meta, e quando a demanda aumenta, vem o pedido de aditivo. Isso já aconteceu em vários lugares”, afirmou.
Deixe seu comentário
Postado por: Marco Eusébio, 27 Março 2026 às 14:30 - em: Principal