Tarifaço prejudicou mais que beneficiou população dos EUA, diz Haddad
Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
O ministro Fernando Haddad (Fazenda) disse hoje que o Brasil vai oferecer os melhores argumentos econômicos para os Estados Unidos, nas negociações para reverter o tarifaço aos produtos brasileiros exportados para aquele país. O principal deles, segundo Haddad, é que a medida está encarecendo a vida do povo estadunidense.
“O papel do Ministério da Fazenda e do Ministério do Desenvolvimento [Indústria, Comércio e Serviços - MDIC] é justamente oferecer os melhores argumentos econômicos para mostrar, inclusive, que o povo dos Estados Unidos está sofrendo com o tarifaço. Eles estão com o café da manhã mais caro, eles estão pagando o café mais caro, eles estão pagando a carne mais cara, eles vão deixar de ter acesso a produtos brasileiros de alta qualidade no campo, também, da indústria”, disse Haddad, no programa Bom Dia Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação.
Entre os produtos tarifados pelos Estados Unidos estão café, frutas e carnes. “Eles estão notando, de dois meses para cá, que as medidas mais prejudicaram do que favoreceram os Estados Unidos”, reforçou o ministro, ao relembrar que os EUA têm superávit comercial em relação ao Brasil e muitas oportunidades de investimento, sobretudo voltado para transformação ecológica, terras raras, minerais críticos, energia limpa, eólica e solar.
A entrevista de Haddad acontece da conversa dos presidentes presidente Donald Trump e Lula, considera positiva por ambos. Os dois presidentes trocaram seus números de telefone para estabelecer uma via direta de comunicação e, também, devem se encontrar pessoalmente em breve. Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio, que tem uma visão mais ideológica, para dar sequência às negociações, mas para Hadda, embora interlocutores tenham defendido que o governo adotasse outra forma de proceder na negociação, a diplomacia brasileira, “que é das melhores do mundo”, vai prevalecer.
“Eu creio que a estratégia que foi decidida pelo presidente Lula vai render os melhores frutos para o Brasil, independentemente de quem seja designado para negociar em nome do governo dos Estados Unidos. E penso que a diplomacia brasileira, com os argumentos que tem, vai saber superar esse momento que foi um equívoco muito grande. Muito mais com base em desinformação do que propriamente com base na realidade dos fatos”, disse o ministro.
Para Haddad, a ação de grupos de extrema direita brasileiros está desinformando o governo americano do que acontece no país. “Está cada vez mais claro para o governo dos Estados Unidos, como está claro para o mundo inteiro, que não está acontecendo nada no Brasil que não siga absolutamente as regras democráticas do Estado de Direito.” (Com Agência Brasil)
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Postado por: Marco Eusébio, 07 Outubro 2025 às 15:15 - em: Principal