Retorno de investimento em carnaval é maior que em áreas da indústria, diz economista
Fernando Maia/RioTur
O retorno para a economia de cada real investido em cultura e artes, incluindo o carnaval, é maior que o de investimentos em algumas áreas tradicionais da indústria, como a automobilística. “O investimento público em artes e cultura contribui muito mais para a economia do que grande parte da indústria manufatureira tradicional", disse a economista ítalo-americana Mariana Mazzucato, uma das mais influentes do mundo e autora do livro O Estado Empreendedor, que está no Brasil para estudar a economia criativa em torno da folia.
"No entanto, os governos continuam investindo mais nesses setores tradicionais da indústria, mesmo que as evidências estejam aí. Não é verdade que não temos as evidências”, acrescentou a economista. No Brasil, enquanto um real investido em cultura pode render R$ 7,59 em retorno para sociedade por meio de empregos e renda, um real investido no setor de automóveis e caminhões tem um impacto multiplicador de R$ 3,76, conforme estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.
Mariana Mazzucato lidera pesquisa da University College London (UCL), com cooperação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que investiga o papel das artes e da cultura para o desenvolvimento econômico de um país. Ela acrescentou que, no caso do Brasil, o carnaval, além do retorno econômico, traz benefícios sociais, de bem-estar e saúde mental para diversas comunidades, muitas delas vulneráveis. “Mais do que apenas falar da comida, da bebida, dos hotéis e do turismo durante o Carnaval, é o impacto social das habilidades, das escolas, das redes, do valor da coesão social, do senso de identidade e patrimônio”.
A visita ao Brasil é parte de parceria com Ministério da Cultura para elaborar indicadores econômicos que auxiliem o governo brasileiro a construir políticas públicas que impulsionem a economia em torno do Carnaval, da cultura e das artes. Leia na Agência Brasil a íntegra da entrevista.
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Postado por: Marco Eusébio, 11 Fevereiro 2026 às 15:15 - em: Principal