PT repudia e fala em discriminação contra deputada Camila Jara em evento na Fiems
Da assessoria
O PT de Mato Grosso do Sul divulgou hoje nota de repúdio, assinada pelo presidente estadual da sigla, o deputado federal Vander Loubet, em defesa da deputada federal Camila Jara (PT-MS), em que condena o fato de a parlamentar ter participado da palestra e da entrevista coletiva do ministro da Fazenda, Dario Durigan, na sede da Fiems, na noite anterior, em Campo Grande, mas ter sido impedida de participar do último compromisso da noite, uma reunião onde o ministro discutiria com empresários soluções para a economia de Mato Grosso do Sul. Na nota, o PT afirma que Camila havia sido formalmente convidada pelo próprio ministro e classifica o episódio como "tratamento discriminatório", apontando desrespeito ao mandato parlamentar e denunciando um suposto caso de "machismo institucional". O partido também manifesta solidariedade à deputada e cobra esclarecimentos sobre o ocorrido. Leia a íntegra:
"NOTA DE REPÚDIO
O Partido dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul (PT-MS) repudia o tratamento discriminatório sofrido pela deputada federal Camila Jara, impedida de entrar na sede da Federação das Indústrias de MS (Fiems), onde acontecia um evento com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, na quinta-feira (30/07), em Campo Grande.
O evento não tinha caráter reservado e a deputada havia sido convidada formalmente pelo próprio ministro para participar da agenda, de natureza institucional e de interesse público, que tratava de temas como o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), relevante para Mato Grosso do Sul.
O episódio é grave não apenas por representar uma afronta a um mandato popular legítimo, mas, sobretudo, por atingir uma mulher, mais uma vítima de um olhar seletivo que ainda tenta diminuir e subordinar mulheres em espaços de poder. Essa lógica, embora histórica, não tem lugar numa sociedade democrática e igualitária.
A atitude feriu princípios éticos básicos e contraria a própria Constituição, que garante a igualdade de gênero por meio de instrumentos consolidados, como a pioneira Lei Maria da Penha (Lei 11.340), em vigor há 20 anos.
Chama atenção que o episódio tenha partido de uma instituição tradicional, de peso reconhecido na economia e nos rumos do estado, o que torna ainda mais grave a repercussão negativa e o risco de a Fiems e seus representados ficarem associados a esse tipo de conduta, algo que nenhuma instituição séria deveria desejar para si.
Não se trata de um incidente protocolar, nem pode ser reduzido a um episódio de divergência político-ideológica pelo simples fato de a deputada Camila Jara ser filiada a um partido nascido nas lutas dos trabalhadores assalariados do país, partido que, hoje, representa os sonhos plurais de democracia, justiça e liberdade de toda a sociedade brasileira.
Impedir o acesso de uma deputada federal nessas condições desrespeita sua investidura parlamentar e escancara um padrão que o PT não vai deixar de nomear: o machismo institucional, que segue limitando o espaço de atuação das mulheres mesmo em ambientes que se dizem plurais.
O PT de Mato Grosso do Sul reafirma seu compromisso histórico no combate ao machismo estrutural, na defesa da participação plena das mulheres em todos os espaços de decisão política, econômica e institucional, e na cobrança permanente de transparência de entidades que lidam direta ou indiretamente com recursos públicos. O Partido manifesta solidariedade integral à deputada federal Camila Jara e seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.
Campo Grande, 31 de julho de 2026.
Vander Loubet
Deputado federal, presidente do PT-MS e pré-candidato a senador"
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Postado por: Marco Eusébio, 31 Julho 2026 às 11:30 - em: Principal