Protagonista ou figurante? Heitor Freire (*)

Protagonista ou figurante?

De repente, me vi com uma indagação: o que sou no palco da vida, protagonista ou figurante?
 
Quando me deixei levar pelas circunstâncias, fui figurante. E reconheço, péssimo figurante. O figurante age por imitação, influenciado por alguém que considera bem-sucedido, buscando agir da mesma maneira, e ao mesmo tempo, paradoxalmente, cometendo um ato de lesa pátria, pois ao agir assim, está anulando a si próprio. O autoconhecimento me proporcionou um despertar que me mostrou a importância de ser protagonista da minha vida, com os acertos e desacertos, com minhas virtudes e meus defeitos. Esse despertar me permitiu ser eu mesmo!
 
Uma pessoa imita a outra principalmente para criar conexão, empatia e facilitar a aceitação social, um fenômeno natural conhecido como "espelhamento". Esse comportamento, muitas vezes inconsciente, é impulsionado por neurônios-espelho no cérebro, visando aprendizado, admiração ou insegurança. Pode também ser uma forma de "mascaramento" para se encaixar. 
 
Outro ponto a considerar é a síndrome da comparação, que é um fenômeno psicológico em que indivíduos se comparam constantemente com outros, frequentemente de forma desfavorável, gerando inadequação, baixa autoestima e ansiedade. Hoje em dia, isso é intensificado pelas redes sociais e pode levar à depressão, insatisfação crônica e distorção da própria realidade. 
 
A síndrome da comparação tem impacto na saúde mental, causando ansiedade e depressão, pois o monitoramento constante da vida alheia gera estresse e frustração, focando nos próprios defeitos (que muitas vezes são imaginários) e no sucesso do outro, desvalorizando a própria trajetória e com uma sensação de nunca ser bom o bastante ou de não ser merecedor de conquistas. Isso provoca também insegurança e inveja, comportamento defensivo ou de isolamento social. 
 
As plataformas digitais exibem recortes perfeitos da vida alheia (que, normalmente, são mera fachada, sem lastro), levando a comparações injustas, sempre em detrimento do observador, criando também a “necessidade” de pertencer a um grupo aparentemente superior. É uma eterna busca por padrões irreais de beleza ou de sucesso.
 
Quando se depara com essa síndrome, o indivíduo deve reduzir o tempo nas redes sociais e filtrar seu conteúdo, fazendo uso do discernimento, valorizando as próprias conquistas, focando no autoconhecimento, aceitando que ninguém é perfeito e tendo a consciência de que todos têm dificuldades a superar.
 
Ser protagonista, ao contrário, é assumir o controle, agir e tomar decisões, sendo o personagem principal da própria história, arcando com a responsabilidade de seus atos. Figurantes apenas observam, têm ações limitadas e vivem no cenário, no faz de conta. A diferença-chave não é talento, mas a atitude consciente de sair da zona de conforto e enfrentar incertezas.
 
O protagonista é o centro da narrativa, impulsiona a ação e vive os maiores desafios. Assumir o protagonismo envolve atitude, coragem para mudar o rumo da própria história e responsabilidade sobre o próprio destino. Já o figurante tem papel decorativo, não interage diretamente com o enredo principal e só serve para compor o cenário. Frequentemente, é associado a uma postura de vitimismo ou passividade, observando a vida acontecer, deixando-se levar.
 
Como ensinou Geraldo Vandré: “Vem, vamos embora, que esperar não é saber; quem sabe faz a hora, não espera acontecer...”
 
O protagonista assume o controle, toma decisões, não espera pelos outros. 
 
Em suma, ser protagonista é uma escolha diária de autoconhecimento e dedicação, onde você é o autor, ator principal e diretor da sua trajetória.
 
Charles Chaplin, com sua genialidade, cunhou uma frase que retrata bem essa situação: "A vida é uma peça de teatro que não permite ensaio. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos". E sem medo de errar. 
 
Eu gostaria de destacar alguns pontos dessa reflexão. Sem ensaio: a vida acontece agora, sem tempo para repetições. Intensidade: aproveite cada momento, emoção e experiência. A cortina: a morte é o fim do espetáculo, por isso, faça valer a pena antes que seu tempo acabe. Embora, naturalmente, a vida continue em outro plano.
 
Essa frase é frequentemente citada para inspirar coragem, espontaneidade e a valorização do tempo presente, pois a vida só acontece no momento da ação, exatamente aqui e agora.
 
Enfim, em todas as situações, sejamos protagonistas!
 
(*Heitor Rodrigues Freire – corretor de imóveis e advogado)


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Postado por: Heitor Freire (*), 23 Abril 2026 às 11:45 - em: Falando Nisso


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