Onda azul toma o Congresso de Donald Trump

Molly Roberts/White House
Onda azul toma o Congresso de Donald Trump
Trump elogiou democratas e criticou republicanos
O presidente Donald Trump perdeu o controle do Congresso dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio de mandato realizadas ontem. Os democratas conquistaram maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, numa virada que atingiu até redutos tradicionalmente republicanos. Pela apuração que prossegue nesta manhã os azuis (democratas) elegeram 54 dos 100 senadores e os vermelhos (republicanos) 44, com duas cadeiras ainda em disputa. Na Câmara, os azuis viraram 24 cadeiras que eram dos vermelhos, e na apuração parcial elegeram 228 parlamentares, contra 139 do partido de Trump, com 68 cadeiras ainda sendo apuradas.
 
Os democratas também elegeram 28 governadores, tomando cinco estados dos republicanos, que elegeram 20. Dentre eles, a primeira governadora negra eleita da história dos EUA foi Keisha Lance Bottoms, no estado da Georgia, e o primeiro goverandor latino da Califórnia, Xavier Becerra, filho de imigrantes mexicanos. As disputas de outros dois governos estaduais ainda estão em apuração.
 
As eleições levaram mulheres, negros, indígenas e latinos a cargos inéditos nos EUA. Nas disputas estaduais também teve brasileiro eleito. Felipe Sousa Lazabellet, filho de uma cozinheira cearense que deixou Duque de Caxias na Baixada Fluminense (RJ) e chegou sozinho aos 14 anos ao EUA, quase 25 anos depois virou deputado estadual na Flórida, tornando-se o primeiro brasileiro e o primeiro imigrante declarado gay a conquistar uma cadeira no legislativo daquele estado.
 
No Congresso, opositores de Trump avançaram por estados como Texas, Kansas, Iowa e Carolina do Sul. No Kansas, o partido elegeu um senador pela primeira vez desde 1932. No Texas, derrotou o candidato republicano apoiado por Trump. Para muitos analistas, o resultado das urnas não foi exatamente uma vitória democrata, mas uma demonstração em massa da elevada rejeição ao governo de Donald Trump, com descontentamento quase generalizado com o custo de vida, a inflação, a guerra contra o Irã e a condução radical da atual gestão.
 
A partir de janeiro de 2027, os democratas terão poder para travar projetos da Casa Branca, dificultar indicações para cargos estratégicos e abrir investigações sobre o governo e aliados do presidente. Trump continuará com poder de veto, mas terá de enfrentar um Congresso controlado pela oposição na segunda metade de seu mandato. A derrota histórica também altera o tabuleiro para a disputa presidencial de 2028.
 
O presidente tentou afastar sua gestão no resultado das urnas, afirmou que "ficou um pouco surpreso", mas vai reconhecer o resultado da eleição, disse que os democratas "fizeram um bom trabalho" e criticou aliados republicanos, como se a derrota não tivesse nada com a rejeição ao seu governo. 
 
Inspiração brasileira – Nas redes sociais, a campanha teve na reta final mensagens como "vote como um brasileiro", sugerindo que os eleitores estadunidenses se inspirassem na vitória de Lula. Depois da "onda azul" varrer o trumpismo, as mensagens nesta quarta-feira incluem perguntas do tipo "Estão orgulhosos de nós?", com americanos agradecendo ao Brasil por mostrar que seria possível derrotar a extrema-direita, apesar do peso do financiamento bilionário de campanhas nos EUA. Sem contar uma "onda de memes" sobre a derrota acachapante de Trump e seus seguidores. (Com BBC, G1 e agências internacionais)


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Postado por: Marco Eusébio, 04 Novembro 2026 às 11:40 - em: Papo de Arquibancada


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