Mendonça põe Moraes no foco do caso Master
Victor Piemonte/STF
O caso Banco Master ganhou nesta terça-feira um capítulo particularmente delicado dentro do STF. O ministro André Mendonça, relator das investigações, deu cinco dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre uma mensagem de Daniel Vorcaro que, segundo a Polícia Federal, foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes.
O ponto mais sensível está no conteúdo. Vorcaro teria pedido a Moraes que reforçasse com Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República, a necessidade de protegê-lo de eventuais medidas de subordinados contra o Banco Master. Em outra mensagem, segundo o Estadão, o banqueiro teria pedido que uma ação fosse adiada para depois de um feriado, numa tentativa de ganhar tempo para evitar que o banco quebrasse.
A cautela é importante: as mensagens mostram o pedido de Vorcaro, mas não comprovam que Moraes tenha atendido à solicitação ou interferido nas investigações. A própria PF teve acesso às mensagens enviadas pelo banqueiro, mas não necessariamente às respostas, já que parte das comunicações foi feita por capturas de tela e mensagens de visualização única.
O movimento de Mendonça, porém, eleva o caso a outro patamar. A identificação de Moraes como interlocutor coloca um ministro do próprio Supremo no entorno direto de uma investigação que envolve justamente supostas tentativas de influência sobre PF, PGR e Banco Central. Segundo o UOL, Mendonça avalia inclusive a possibilidade de incluir Moraes formalmente na investigação, mas aguarda antes a manifestação da PGR.
Há ainda um ingrediente que aumenta a pressão política e institucional: o escritório de advocacia da esposa de Moraes manteve contrato milionário com o Banco Master. O escritório afirma que consultou o ministro, como marido da sócia, sobre eventual impedimento legal e sustenta que não havia restrição para a contratação.
A leitura mais prudente, portanto, é que Mendonça ainda não está acusando Moraes de crime. Está fazendo o que um relator precisa fazer diante de um elemento novo e potencialmente relevante: pedir explicações, ouvir a PGR e só depois decidir se há fundamento para avançar. O problema institucional é que, qualquer que seja o próximo passo, o episódio já coloca dois ministros do STF em posições potencialmente opostas dentro de uma investigação que envolve autoridades do topo da República.
O episódio também provocou reação na cúpula da PF, que, segundo o Metrópoles, considerou o despacho de Mendonça um movimento problemático e voltou a tensionar a relação entre o ministro e a corporação.
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Postado por: Marco Eusébio, 01 Setembro 2026 às 12:45 - em: Principal