Lula anuncia programa de habitação para classe média

Paulo Pinto/Agência Brasil
Lula anuncia programa de habitação para classe média
Lula, durante o Incorpora 2025 em SP
O presidente Lula anunciou hoje um novo modelo de crédito imobiliário, que reestrutura o uso da poupança para ampliar a oferta de crédito, especialmente para a classe média, parte da população que ganha mais de R$ 12 mil. Durante o evento Incorpora 2025, em São Paulo (SP), um dos maiores do setor habitacional, Lula disse que sempre teve “uma inquietação” para atender essa faixa de moradias. 
 
“Um trabalhador metalúrgico, um bancário, um químico, um gráfico, um trabalhador da Caixa Econômica, um professor [...] Essas pessoas não têm direito a comprar casa, porque elas nem são pobres, não estão na faixa 1, nem na faixa 2 [do Minha Casa, Minha Vida]”, disse o presidente.
 
Lula afirmou que a classe média pode escolher onde morar. “Ele não quer uma casa de 40 m², ele quer uma casa de 80 m². Ele não quer morar no Cafundó do Judas, ele quer morar no lugar mais próximo onde ele está habituado a morar. O que nós vamos tentar fazer é adequar as dificuldades econômicas das pessoas levando em conta o respeito à dignidade humana de morar no lugar aonde pensa que é bom morar”, disse.
 
O novo modelo de crédito imobiliário do país reestrutura o uso da poupança para ampliar a oferta de crédito, com as seguintes regras: o valor máximo do imóvel passa de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões; famílias com renda familiar entre R$ 12 mil e R$ 20 mil terão acesso ao novo financiamento; operações pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), com juros limitados a 12% ao ano; a Caixa volta a financiar 80% do valor do imóvel. 
 
Fim do compulsório
 
Após um período de transição, o total dos recursos depositados na caderneta de poupança será referência para uso no setor habitacional, com o fim dos depósitos compulsórios no Banco Central (BC). Além disso, o valor máximo do imóvel financiado no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) passará de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.
 
Hoje, famílias com renda até R$ 12 mil são atendidas pelo Minha Casa, Minha Vida, com juros menores, e, desde o início do seu terceiro mandato, Lula defende alternativa de financiamento para a classe média. A previsão é que, com essa mudança, a Caixa Econômica Federal financie mais 80 mil novas moradias até 2026.
 
Atualmente, 65% dos recursos captados pelos bancos da poupança precisam ser direcionados ao crédito imobiliário; 15% estão livres para operações mais rentáveis e 20% ficam com o Banco Central na forma de depósito compulsório.
 
Os financiamentos via SFH vinham perdendo espaço no mercado em meio a saques da caderneta de poupança, principal fonte de recursos para crédito habitacional no país. Em 2023 e 2024, as retiradas líquidas da poupança foram R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. Em 2025, caderneta já tem resgate líquido de R$ 78,5 bilhões. Entre as razões para os saques está a manutenção da Selic – a taxa básica de juros – em alta, o que estimula a aplicação em investimentos com melhor desempenho. (Com Agência Brasil)


Deixe seu comentário


Postado por: Marco Eusébio, 10 Outubro 2025 às 17:45 - em: Principal


MAIS LIDAS