Iguais e desiguais Heitor Freire (*)

Iguais e desiguais

Somos iguais na origem, porque somos seres criados por Deus. Mas, a partir da criação, começa a desigualdade porque os atos de cada um, em suas encarnações, refletem suas atitudes, sentimentos e pensamentos que são únicos, intrínsecos, individuais.
 
A pretensa igualdade começa quando o ser anula sua individualidade e passa a seguir a coletividade, abandonando o seu livre arbítrio, renunciando à sua própria evolução.
 
Aparentemente, é mais fácil seguir o rebanho. O que, na realidade, é um grande erro.
 
Deus nos criou de forma original e nos deu o livre arbítrio para que nos desenvolvêssemos, ativando a nossa inteligência e criatividade, aplicando todo o conhecimento para a nossa evolução espiritual.
 
Apesar dessa liberdade que Deus nos concedeu, é muito claro que Ele não faz acepção de pessoas. 
 
Quando alguém que foi designado por Ele para uma missão deixa de cumpri-la, é simplesmente substituído. O exemplo mais claro que conheço é o de Moisés, que depois de ter liderado o povo hebreu pelo deserto durante quarenta anos, com toda sorte de dificuldades, de repente, ao duvidar que de uma rocha pudesse brotar água, como Deus lhe disse – no célebre episódio da fonte de Meriba –, foi impedido de entrar na Terra Prometida, tendo somente sua visão ao longe. Moisés então foi substituído por Josué, a quem coube a missão de tomar posse da Terra Prometida.
 
A desigualdade também fica flagrante na parábola dos talentos. Cada homem recebeu seus talentos. A um foi dado cinco talentos, a outro, dois, e ao último, um. E o uso que cada um fez de seus talentos representou o prêmio conquistado.
 
Os seres humanos também são iguais em direitos e dignidade, mas diferentes em suas características físicas, culturais e individuais.
 
Sim, os seres humanos são iguais em essência. A Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece que todos nascem livres e com a mesma dignidade e direitos. No entanto, biológica e socialmente, somos todos diferentes. Essa diversidade inclui nossas características físicas, habilidades, origens, crenças e personalidades, tornando cada indivíduo único. 
 
Temos também as diferenças culturais:
 
Biologia e corpo: cada pessoa tem um rosto, um corpo, uma altura e uma voz únicos.
 
Gostos e ideias: pensamos de formas variadas, com crenças, sonhos e histórias próprias.
 
Habilidades: uns têm facilidade para esportes, outros para arte ou ciências, o que enriquece a vida em grupo. As diferenças são naturais e fazem parte da vida, enquanto a desigualdade injusta é um problema social que deve ser combatido para garantir justiça e acesso a todos.
 
Enquanto a igualdade garante respeito, justiça e proteção contra a discriminação, a diferença é o que enriquece o convívio em sociedade. O princípio jurídico da igualdade significa que ninguém deve ser tratado com superioridade ou inferioridade perante a lei, garantindo equidade de oportunidades. 
 
Filosoficamente falando, os seres humanos são iguais em essência e desiguais em características físicas e mentais, o que significa que somos moralmente iguais, mas naturalmente diferentes. O tema rende discussões que permanecem através dos tempos, como vemos a seguir, classificadas como a essência e a existência.
 
Igualdade filosófica (a essência):
 
Dignidade e valor: filósofos como Immanuel Kant defendem que todo ser humano temo mesmo valor absoluto e deve ser tratado como um fim em si mesmo, nunca como um meio.
 
Direitos naturais: Jean-Jacques Rousseau e o pensamento iluminista apontam que nascemos livres e com os mesmos direitos fundamentais perante a lei e a ética.
Desigualdade ou diferença filosófica (a existência) 
 
Diversidade natural: na prática, as pessoas possuem capacidades físicas, talentos, inteligências e traços de personalidade distintos.
 
Justiça e equidade: para Aristóteles, a verdadeira justiça consiste em tratar os iguais de forma igual, e os desiguais (em termos de necessidades ou méritos) de forma desigual, para alcançar o equilíbrio. 
 
Enfim, é a desigualdade que distingue a todos essencialmente, que constitui a riqueza do ser e a conquista de cada um, derivando de sua individualidade consciente.
 
(*Heitor Rodrigues Freire – corretor de imóveis e advogado)


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Postado por: Heitor Freire (*), 04 Agosto 2026 às 11:45 - em: Falando Nisso


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