Guerra no Supremo ganha novo capítulo com quebra de sigilo do caso Master ampliada

Felipe Sampaio/STF
Guerra no Supremo ganha novo capítulo com quebra de sigilo do caso Master ampliada
André Mendonça levantou sigilo 38 processos
A guerra interna no Supremo ganhou neste sábado um novo capítulo — e, desta vez, com a caixa-preta do caso Banco Master mais aberta. André Mendonça levantou o sigilo de 38 documentos e procedimentos que envolvem políticos, empresários e autoridades, ampliando o alcance das informações sobre a atuação de Daniel Vorcaro e suas conexões em Brasília. A medida veio depois de Edson Fachin cobrar a divulgação do material a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de críticas de Alexandre de Moraes de que Mendonça estaria liberando documentos de forma seletiva.
 
O problema é que a transparência, em vez de pacificar a Corte, está aprofundando a briga. Cristiano Zanin voltou a cobrar acesso integral ao conteúdo do celular de Vorcaro. Mendonça afirma que a cópia entregue pela PF está lacrada e criptografada, mas Zanin argumenta que os ministros precisam ter acesso ao mesmo material para decidir com isenção.
 
Gilmar Mendes, por sua vez, sugeriu adiar a sessão de terça-feira que analisaria as suspeitas envolvendo Moraes e juntar ao julgamento o relatório que trata do próprio Mendonça. A proposta é evitar que a Corte tenha decisões fragmentadas sobre um mesmo escândalo — mas também mostra o tamanho da divisão interna. Fachin rejeitou juntar os casos de Moraes e Mendonça para terça-feira.
 
No meio da disputa, a investigação sobre Flávio Bolsonaro e o filme "Dark Horse" ganhou peso próprio. Documentos divulgados mostram que a defesa do senador fez quatro pedidos para que o caso ficasse com Mendonça, e não com Flávio Dino. Ao mesmo tempo, relatórios da PF apontam que Flávio atuou diretamente nas negociações com Vorcaro e que R$ 61 milhões foram efetivamente transferidos para o projeto. A investigação também encontrou indícios de que recursos enviados a um fundo nos EUA tiveram gestão relacionada a Eduardo Bolsonaro.
 
A versão de que o dinheiro teria sido simplesmente um financiamento privado para o filme também ficou mais difícil de sustentar. A PF identificou movimentações no Brasil e conexões com empresas ligadas a uma estrutura que recebeu recursos públicos, além de apontar falta de detalhamento e inconsistências na origem e no destino de parte do dinheiro. A investigação ainda não fecha a conta como prova definitiva de crime, mas já é suficiente para manter Flávio formalmente no foco da apuração.
 
O efeito político é maior que o de uma simples disputa processual. O Supremo deixou de discutir apenas o que Vorcaro fez e passou a discutir quem, dentro da própria Corte, pode investigar quem, quais informações devem ser compartilhadas e até onde vai o poder de cada ministro. Moraes está sob escrutínio pelas mensagens com Vorcaro; Mendonça é questionado pela condução e pela extensão das investigações; Zanin cobra acesso ao material; Gilmar tenta reorganizar o julgamento; e Fachin busca preservar o controle institucional da crise.
 
A cada nova decisão, a guerra deixa menos espaço para uma saída discreta. (Com Folha de S.Paulo, UOL, G1 e ABr)


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Postado por: Marco Eusébio, 12 Setembro 2026 às 10:00 - em: Principal


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