Heitor Freire (*)
Expressões populares
A riqueza do anedotário popular é muito interessante e cheia de curiosidades. As expressões retratam situações divertidas que repetimos automaticamente e poucas vezes nos damos conta de seu significado original.
Expressões idiomáticas são frases com sentido figurado muito usadas no dia a dia. Existem inúmeras delas, mas é preciso ter cuidado ao usá-las, pois não cabem, por exemplo, em textos mais formais, já que apresentam um caráter conotativo e popular. Podem conter duas ou mais palavras, ser usadas tanto na fala quanto na escrita e expressar diferentes ideias.
A cultura brasileira é rica dessas expressões, que enriquecem a nossa comunicação quando usamos metáforas para descrever situações corriqueiras.
Por exemplo:
“Mais quieto que guri cagado”: é um ditado gaúcho usado para descrever alguém que está silencioso ou discreto. A expressão faz alusão à cena de uma criança em silêncio, tentando esconder que sujou a fralda ou a roupa até conseguir se limpar.
Exemplos notáveis incluem "Chutar o balde" (agir impulsivamente), "Cair a ficha" (entender algo), "Fazer uma vaquinha" (arrecadar dinheiro em grupo) e "A cobra vai fumar" (situação de conflito).
Aqui está uma seleção dividida por categorias:
Expressões populares comuns:
Arroz de festa: pessoa que está sempre em eventos sociais.
Dar o braço a torcer: reconhecer que estava errado.
Estar com a pulga atrás da orelha: desconfiar de algo.
Viajar na maionese: falar algo sem sentido ou delirar.
Colocar a mão na massa: começar a trabalhar em um projeto.
Largar de mão: desistir de algo ou de alguém.
Resolver um pepino: solucionar um problema difícil.
Não marcar touca: não perder a oportunidade, ficar atento.
Ditados populares:
Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura: a persistência traz resultados.
Cão que ladra não morde: quem ameaça muito, pouco age.
Quem não arrisca, não petisca: é preciso arriscar para ter sucesso.
Roupa suja se lava em casa: problemas privados devem ser resolvidos na intimidade.
A cavalo dado, não se olha os dentes: não se deve criticar um presente.
Abandonar o navio: desistir.
Abotoar o paletó: morrer.
Abrir o coração: desabafar.
Abrir o jogo: revelar alguma coisa.
Acertar na mosca: adivinhar.
Agarrar com unhas e dentes: tomar posse de algo.
Amigo da onça: indivíduo falso.
Pegar no pé: incomodar, importunar ou insistir, fazendo cobranças, críticas ou exigências constantes.
Soltar os cachorros: perder a paciência, agir com agressividade ou brigar de forma veemente.
Não perguntei se a mula é manca: é um "cala a boca" sutil e irônico.
Acontece quando você faz uma pergunta simples ou dá uma ordem direta e a pessoa começa a se justificar, reclamar ou dar detalhes inúteis.
Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza: pessoas que nunca tiveram acesso a algo bom ou de luxo, ao finalmente conquistarem, tendem a exagerar e perder o controle. A falta de costume leva ao deslumbramento e ao excesso.
Gírias modernas (Geração Z/atualidades):
Sextou: comemoração da chegada da sexta-feira.
Treta: confusão, briga ou polêmica.
Crush: pessoa por quem se tem interesse amoroso.
Lacrou: arrasou, mandou muito bem.
Ranço: sentimento de aversão ou desprezo.
Expressões regionais:
Égua de largura (Norte): muita sorte.
Amofinado (Nordeste): aborrecido, triste.
Embretar-se (Sul): meter-se em apuros.
Cambito (Sudeste): perna fina.
Naturalmente, existem “n” expressões, cada um tem o seu próprio repertório, que, com as conversas, aumentam sempre.
(*Heitor Rodrigues Freire – corretor de imóveis e advogado)
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Postado por: Heitor Freire (*), 19 Maio 2026 às 11:45 - em: Falando Nisso