EUA queriam abertura total do Brasil sem contrapartida, diz Mauro Vieira
Valter Campanato/Agência Brasil
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse hoje que os Estados Unidos buscaram uma “capitulação” do governo brasileiro nas negociações sobre o novo tarifaço ao exigir a abertura total de setores da economia brasileira sem oferecer contrapartidas para os produtos nacionais. Segundo o chanceler, o governo dos EUA se incomodou com o fato de o Brasil “não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações”, citando, como exemplo, a exigência de abertura “total, irrestrita e exclusiva” de setores inteiros da economia aos norte-americanos.
As declarações foram dadas um dia após o anúncio de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, medida justificada pelos EUA por supostas práticas comerciais desleais. O governo brasileiro rejeita as alegações. Vieira também rebateu críticas do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que atribuiu a falta de acordo ao “ego” do presidente Lula. Para o chanceler, trata-se da “convicção inabalável do presidente Lula na defesa da soberania brasileira e dos interesses das nossas empresas e trabalhadores”. Acrescentou que Rubio usa falsas afirmações sobre o empenho brasileiro em negociar e “ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo, que se empenhou pessoalmente pela abertura de canais de negociação em várias ocasiões”.
O ministro informou ainda que Brasil e EUA realizaram mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone desde março de 2025, incluindo 11 contatos com o representante comercial Jamieson Green e com Marco Rubio. Ao reforçar que as tarifas têm motivação política e não econômica, Vieira lembrou que os EUA acumularam superávit de US$ 424 bilhões em bens e serviços no comércio com o Brasil nos últimos 15 anos. Também destacou que, em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no Brasil sem pagar imposto de importação.
O governo brasileiro vinha defendendo que a ameaça de tarifaço usada pelo governo de Donald Trump contra o Brasil tem motivação política, mirando as eleições. Para analistas consultados pela Agência Brasil, a medida seria uma forma de enquadrar o país, que não teria adotado um alinhamento político com Washington como a Casa Branca gostaria.
O chanceler classificou como “descabidas” as acusações norte-americanas contra o Pix, alvo de investigação comercial dos EUA, e afirmou que o sistema é uma infraestrutura pública de pagamentos aberta a todas as instituições que atuam no país. Sobre o desmatamento, disse que o Brasil reduziu significativamente os índices na Amazônia e no Cerrado desde 2022 e concluiu que as justificativas apresentadas por Washington “não têm lastro na realidade”. (Com Agência Brasil)
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Postado por: Marco Eusébio, 16 Julho 2026 às 17:30 - em: Principal