Heitor Freire (*)
Da respiração
Respirar é um ato que realizamos de maneira automática. Mas é de uma importância fundamental. Se não respirarmos, não existimos. O nosso primeiro ato ao nascermos é aspirar o ar. A partir daí, existimos. E o último ato na nossa encarnação, é uma expiração final.
Em Gênesis 2:7, diz-se que Deus formou o homem do pó e soprou em suas narinas o fôlego da vida, tornando-o um ser vivente. A respiração é nossa principal função biológica e por meio dela fornecemos ao organismo vida e saúde, trazidas a nós pela energia cósmica, que é fluido divino. É o processo biológico vital pelo qual o corpo capta oxigênio do ambiente e elimina o gás carbônico produzido pelas células. Esse ciclo garante que os tecidos recebam os gases necessários para a manutenção da vida.
A respiração é um ato contínuo de alimentação do nosso organismo pela energia vital. Embora ela se faça de forma automática, quando devidamente entendida como função vital e ativada de forma consciente se transforma também num processo de autoconhecimento, contribuindo para nossa participação no momento presente.
O autoconhecimento é a principal função da nossa encarnação. Por intermédio dele, encontramos nosso papel na vida, definimos nossa trajetória e realizamos a nossa evolução espiritual. Cada encarnação é uma etapa da nossa vida espiritual, que é infinita.
Se não nos conhecermos seremos indolentes sem noção da nossa existência. É indispensável entender a vida, que é regida por um sistema econômico que não admite prejuízo. Quem tirar, terá que restituir. Quem lesar terá que reparar o débito pelo qual seja responsável, direta ou indiretamente, porque o débito exige quitação. O desconhecimento dessa circunstância da vida, faz com que a maioria das pessoas cometa atos impensados ou prejudiciais aos outros, sem considerar seus resultados. A ignorância das consequências de seus atos é o grande pecado da humanidade. Na contabilidade celestial não tem estorno.
Eckhart Tolle, no seu livro “Despertar de uma nova consciência”, destaca a importância da respiração, do qual retiramos um pequeno trecho:
“Tome consciência da sua respiração. Observe a sensação do ato de respirar. Sinta o movimento de entrada e saída do ar ocorrendo em seu corpo. Veja como o peito e o abdômen se expandem e se contraem ligeiramente quando você inspira e expira. Basta uma respiração consciente para produzir espaço onde antes havia a sucessão ininterrupta de pensamentos."
Uma respiração consciente (duas ou três seria ainda melhor) feita muitas vezes ao dia é uma maneira excelente de criar espaços em sua vida. Mesmo que você medite sobre sua respiração por duas horas ou mais, o que é uma prática adotada por algumas pessoas, uma respiração basta para deixá-lo consciente. O resto são lembranças ou expectativas, isto é, pensamentos.
Na verdade, respirar não é algo que façamos, mas algo que testemunhamos. A respiração acontece por si mesma. Ela é produzida pela inteligência inerente ao corpo. Portanto, basta observá-la. Essa atividade não envolve nem tensão nem esforço.
Ao tomarmos consciência da respiração, nos vemos forçados a nos concentrar no momento presente – o segredo de toda a transformação interior, espiritual. Sempre que nos tornamos conscientes da respiração, estamos absolutamente no presente. Percebemos também que não conseguimos pensar e nos manter conscientes da respiração ao mesmo tempo”.
Viver é respirar.
(*Heitor Rodrigues Freire – corretor de imóveis e advogado)
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Postado por: Heitor Freire (*), 09 Setembro 2026 às 12:45 - em: Falando Nisso