Da alegria Heitor Freire (*)

Da alegria

O que é a alegria? A alegria é um estado da alma. Ela é essencial na vida humana, é a alegria de viver.
 
Jesus ensinou que conscientes ou não, o que mais buscamos em nossos dias, desde o nascer ao pôr do sol, que a verdadeira alegria é um estado espiritual duradouro e completo, que não depende das circunstâncias materiais ou momentâneas.
                                                  
Em João 15:12, Jesus afirmou: “Amem-se uns aos outros como eu vos amei”. Ele dizia aquelas palavras para que a Sua alegria estivesse nos discípulos e a alegria deles fosse completa, indicando que a alegria transborda quando a pessoa permanece ligada a Ele por meio do amor e da obediência aos seus ensinamentos.
 
O segredo da felicidade ensinado por Jesus indica que a realização plena e a alegria não vêm do egoísmo, mas sim do ato de servir e doar-se ao próximo, recordando o princípio de que há mais alegria em dar do que em receber.
A alegria ensinada por Jesus é descrita como uma força interior e um fruto espiritual que permanecem mesmo em meio a atribulações, perseguições ou escassez, diferenciando-se da felicidade passageira que depende apenas de momentos favoráveis.
 
Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.
 
Nós, latinos, em geral nos declaramos cristãos: católicos, protestantes, evangélicos e espíritas.  Isso se dá na teoria, porque na prática de nossos atos contrariamos os princípios fundamentais do que é ser cristão. E essa contradição entre a palavra e o ato gera a confusão em que a maioria das pessoas vive.
 
Daí a necessidade de seguir fiel aos ensinamentos de Cristo e procurar cultivar a alegria em dose máxima. Alegria, porém, não é barulho: é um estado de alma de quem sente a plenitude da vida. Ela provém de dentro de nós mesmos, da consciência tranquila, do cumprimento exato de nossos deveres, e vibra dentro de nós apesar de todos os sofrimentos, calúnias e injustiças.
 
Seja alegre sempre. Quando a tristeza quiser encobrir o sol de sua vida, entoe um cântico de louvor ao Pai, e a luz brilhará novamente em você.
Do ponto de vista filosófico, a alegria é a expansão da nossa potência de existir e agir, distinta de mera emoção passageira.
 
Para o grande filósofo Sócrates, a felicidade (eudaimonia) é a finalidade última da vida humana e resulta diretamente da prática da virtude e do autoconhecimento. 
 
Já Aristóteles conectava a alegria profunda à eudaimonia, alcançada por meio de uma vida virtuosa e do exercício racional das potencialidades humanas em sociedade.
 
Epicuro associava o bem viver à ataraxia (tranquilidade da alma) e à moderação dos prazeres, onde a alegria recata-se na ausência de dor física (aponia) e de perturbação mental.
 
Spinoza definiu a alegria (laetitia) como a passagem do ser para uma perfeição maior, ou seja, o aumento da nossa capacidade de pensar e agir. Para ele, a alegria é um afeto ativo ligado à compreensão da realidade e à nossa essência (conatus), que corresponde à passagem da mente e do corpo para uma perfeição maior e ao aumento da nossa potência de agir. 
 
Nietzsche, por sua vez, via a alegria como afirmação da vida, ligada à força criativa e à aceitação plena da existência, rompendo com a culpa ou o pessimismo.
 
Assim, sejamos alegres para desfrutar conscientemente dos prazeres da vida, sem nos deixar perturbar por acontecimentos que não estão sob o nosso controle, sejam da ordem que forem.
 
(*Heitor Rodrigues Freire – corretor de imóveis e advogado)


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Postado por: Heitor Freire (*), 15 Setembro 2026 às 11:45 - em: Falando Nisso


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