Heitor Freire (*)
Amar, servir, aprender
Viver, realmente, não é para principiantes. Viver, no sentido de participar ativamente do processo evolutivo da humanidade. Existir, qualquer ser existe, desde um inseto até o ser humano, quando faz de sua existência uma mera continuidade de atos mecânicos, sem participar conscientemente da própria vida. Nasce, cresce, se multiplica e morre. E nasce de novo, o ciclo continua!
Viver, no sentido pleno da palavra, exige uma consciência presente, em que cada ato, sentimento, pensamento, atitude, palavra e comportamento se dão de forma realmente consciente.
Desses três verbos que intitulam este artigo, o mais difícil é o primeiro: amar. Porque amar exige consciência, vontade, desprendimento, desapego, discernimento e atos de bondade.
Daí que o ensinamento básico de Jesus é amar a Deus sobre todas as coisas do céu e da Terra e ao próximo como a si mesmo - o que, aparentemente, parece fácil e simples, mas também pode ser bastante complexo na sua execução.
O ser humano é complicado. Declara-se, como boa parte dos habitantes da Terra, cristão. Ou seja, seguidor dos ensinamentos de Cristo. O que implica, naturalmente, no cumprimento de suas determinações e não permite vacilo. Ou se ama ou não se ama. Não há meio termo.
Mas o que mais se faz é exatamente o contrário. Vive criticando, julgando e condenando o próximo. Basta ver o panorama político de nosso país nesta última eleição. Famílias se desfizeram, amizades se destruíram na discussão apaixonada e até violenta na defesa daqueles que mereceram sua preferência nas urnas, e que na realidade, nem tomam conhecimento da existência de quem votou.
Amar, na plenitude do ensinamento de Jesus, é fazer de nossa vida um hino de louvor a Deus. Todos nós, TODOS, somos irmãos e filhos de Deus. Enquanto não se praticar esse ensinamento divino, o conflito generalizado permanecerá.
Servir exige atos solidários, filantrópicos e assistenciais ao próximo. O Rotary Club tem um lema que resume muito bem este verbo: “Quem não vive para servir, não serve para viver”.
Servir desinteressadamente é um ato raro. Quase sempre há um interesse escondido. Uma vantagem aqui, outra acolá. “Eu tenho que sobreviver, entende?”
O aprendizado resume numa palavra a finalidade da encarnação. Porque se vivemos uma encarnação e dela não tiramos nenhum aprendizado para nossa evolução espiritual, na verdade não vivemos, apenas existimos. Passamos pela vida em brancas nuvens de forma apática, isenta de dores, desafios ou lutas, como bem demonstrou Francisco Otaviano em seu poema Ilusões da vida.
A verdadeira existência humana exige participação ativa, consciente, participativa.
A encarnação é o meio concebido pela espiritualidade para proporcionar ao ser humano a sua evolução espiritual.
“Se compreendes, as coisas são como são; se não compreendes, as coisas são como são”.
(*Heitor Rodrigues Freire – corretor de imóveis e advogado)
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Postado por: Heitor Freire (*), 03 Novembro 2026 às 12:00 - em: Falando Nisso