Advogados parentes de ministros do STF têm 70% dos casos que atuam no Supremo e STJ

Gustavo Moreno/STF
Advogados parentes de ministros do STF têm 70% dos casos que atuam no Supremo e STJ
Advogados parentes de 8 ministros atuam em ações no STF e STJ
Parentes de primeiro grau de oito dos dez atuais ministros do Supremo tiveram um salto na atuação em tribunais superiores após a ascensão de seus familiares à cúpula do Judiciário. Levantamento do Estadão mostra que 70% dos processos com a participação desses advogados foram protocolados depois de os ministros serem empossados no STF. 
 
São 1.860 processos no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com participação de parentes dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Edson Fachin, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Flávio Dino. Desse total, 1.289 casos tiveram início após esses magistrados chegarem à Suprema Corte, sete em cada dez ações. Outros 571 processos com envolvimento dos advogados parentes dos magistrados tiveram início antes das suas posses. Só André Mendonça e Cármen Lúcia não têm parentes de primeiro grau com ações nos dois tribunais.
 
A atuação de parentes advogados em tribunais nos quais há juízes familiares não é ilegal, mas, nos últimos anos, a sociedade passou a dar mais atenção ao comportamento dos magistrados e a discutir a atuação do poder Judiciário. “Do ponto de vista do cliente, a aposta é que ter um parente de ministro do STF como advogado leve os membros do STJ ou do próprio STF a analisarem o caso com mais cuidado, dadas as relações institucionais”, disse ao Estadão Bruno Carraza, autor do livro O País dos Privilégios.


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Postado por: Marco Eusébio, 04 Fevereiro 2026 às 17:00 - em: Principal


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