A questão filosófica Heitor Freire (*)

A questão filosófica

Viver a nossa vida, se constitui num aprendizado constante, porque o autoconhecimento, etapa indispensável para nosso aprimoramento mental e espiritual, principalmente quando superamos as fases da infância, juventude, adulta, profissional, política, social, etc. nos deparamos, no meu caso, com o viver filosófico que significa adotar uma postura reflexiva, crítica e consciente perante a existência, utilizando a razão para guiar escolhas e ações, em vez de viver de forma automática, cultivando virtudes, questionando valores e encontrando um sentido próprio, transformando a vida cotidiana em uma forma de arte e aprimoramento pessoal.
 
Isso envolve também não aceitar crenças ou normas sem reflexão questionando o "porquê" das coisas (o espanto e a dúvida, conforme), enxergando a própria vida como uma obra a ser esculpida com escolhas conscientes e autodomínio, agindo com base em princípios éticos e não apenas em busca do prazer.
 
Segundo pensadores como Pierre Hadot (filósofo francês 1922/2010), a filosofia ajuda a reduzir desejos supérfluos, promovendo o equilíbrio interior e uma vida mais simples. Hadot recupera, em sua obra, a ideia da filosofia como um modo de vida. 
 
A filosofia nos ensina a reconhecer que a vida não tem um sentido pré-definido, cabendo então, a cada um criar o seu próprio caminho. Há uma diferença entre filosofia de vida, que é um conjunto de valores, crenças e princípios pessoais que guiam comportamentos (pode ser superficial ou herdado) e viver filosoficamente que representa a aplicação prática, constante e reflexiva desses princípios através do exame racional, buscando a excelência humana (virtude).
 
É importante observar que a filosofia não se baseia em dogmas, fé ou verdades fixas, diferenciando-se da ciência por não buscar resultados utilitários imediatos, e do senso comum por ser refletida e aprofundada, busca o significado da existência, o "porquê" das coisas, e não apenas o "como" elas funcionam.
 
Filosofa-se para encontrar sentidos para viver e interagir melhor com o outro, questionando valores e a própria realidade, que decorre da necessidade de compreender o cosmos e os mistérios da vida diante da dúvida e também para quebrar a inércia do senso comum, refletindo sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos.
 
Apesar de possuir uma definição geral, a atitude filosófica apresenta quatro aspectos que podem complementar sua definição: o espanto, a dúvida, o rigor e a insatisfação.
 
Ela é feita por filósofos que questionam o poder estabelecido e o status quo, questionando o óbvio e trazendo profundidade à vida.
 
Para finalizar, três perguntas filosóficas fundamentais que exploram a existência, a consciência e a ética, essenciais para o pensamento crítico:
Por que existe algo em vez do nada?
 
Esta pergunta, levantada por pensadores como Leibniz (1646/1716) e Heidegger (1889/1976), ambos filósofos alemães – que influenciaram o pensamento da Humanidade –, questiona a origem e a razão de ser do universo e de toda a existência.
 
O que é a realidade e como sei que ela é real?
 
Explora a epistemologia e a ontologia, questionando se o mundo que percebemos é objetivo ou uma construção da nossa mente (semelhante ao "Mito da Caverna" de Platão).
 
Temos livre arbítrio?
 
Questiona se somos realmente autores de nossas escolhas ou se nossas ações são predeterminadas por leis físicas, biológicas ou sociais. 
 
Essas questões buscam entender o fundamento do ser e os limites do conhecimento humano. 
 
Enfim, a questão está posta!
 
(*Heitor Rodrigues Freire – corretor de imóveis e advogado)


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Postado por: Heitor Freire (*), 05 Maio 2026 às 11:45 - em: Falando Nisso


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