A Copa se despede, a Espanha comemora

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A Copa se despede, a Espanha comemora
Ferrán Torres fez o gol do título espanhol
Nem sempre a última página é a melhor de um livro. Às vezes, ela apenas fecha a história. A Copa do Mundo de 2026 terminou assim: sem o brilho que se esperava, mas com aquele vazio que só o futebol consegue deixar quando sabemos que a festa acabou.
 
A Espanha voltou ao topo do mundo. Venceu a Argentina com um gol de Ferrán Torres que só saiu na segunda etapa da prorrogação, e conquistou seu segundo título. Bastou um lance para decidir uma final modorrenta, em que a bola parecia pesar mais do que de costume, em que uma acovardada Argentina só deu seu primeiro chute a gol quando, atrás do placar, tentava empatar no desespero de uma copa perdida.
 
Nem as estrelas dos finalistas brilharam. O veterano Lionel Messi quase nem viu a bola e se despediu discretamente do sonho do bicampeonato. O jovem Lamine Yamal tentou mudar o destino do jogo, mas também esbarrou no silêncio de uma decisão sem grandes momentos.
 
Após a decisão veio o protocolo. Medalhas de prata para os argentinos, de ouro para os espanhóis, aplausos, algumas vaias quando Donald Trump entrou em campo ao lado de Gianni Infantino para entregar a premiação. Depois, a promessa de um novo símbolo desta copa: os campeões ainda receberão anéis comemorativos, inspirados nas grandes ligas dos Estados Unidos e confeccionados especialmente para eternizar a conquista.
 
Curiosamente, a partida que ficará na memória de muita gente aconteceu um dia antes. Inglaterra e França transformaram a disputa do terceiro lugar em um espetáculo improvável. Dez gols, reviravoltas, e o placar de 6 a 4 para a conquista do bronze dos ingleses. A reação francesa na segunda etapa, apesar da derrota, livrou Didier Deschamps de uma despedida vexatória da seleção. Com mais dois gols, Mbappé chegou a dez e terminou como artilheiro deste mundial. Foi como se o futebol lembrasse  que nem sempre a melhor história é a que termina com a taça.  
 
Taça que, por sinal, encontrou seu lugar na Espanha pelos próximos quatro anos. O restante fica espalhado pelo caminho: um gol aqui, uma defesa ali, uma surpresa, uma decepção, uma nova estrela surgindo e outra que começa a se despedir. Porque a copa acaba no apito final, mas demora muito mais para sair da memória.


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Postado por: Marco Eusébio, 20 Julho 2026 às 08:00 - em: Papo de Arquibancada


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