Heitor Freire (*)
A água e suas lições
O site Pensador reúne e publica textos de autores variados, entre eles Pedro Augusto Macêdo (Pedrocaixeta). Tentei, em vão, procurar saber de quem se trata, mas não encontrei nada sobre ele. Dito isso, vamos ao teor de seus escritos. O autor escreve com profundidade sobre temas como água, terra, fogo, ar etc., elencando condições intrínsecas desses elementos e refletindo como o seu próprio comportamento se coaduna com eles.
Transcrevo abaixo um trecho que Pedro Augusto faz um paralelo entre o seu comportamento e a água:
“Sou como a água, que se molda aos caminhos difíceis, contorna os obstáculos e segue sempre em frente, sem nunca perder sua essência.
Minha força está na suavidade, que esculpe até mesmo as pedras mais duras, e na persistência, que nunca desiste de encontrar o mar.
Mesmo diante das tempestades, permaneço fiel à minha natureza. Às vezes sou calmaria, refletindo o céu em minha superfície; outras, sou correnteza, impetuosa e determinada. Carrego em mim o poder de transformar, de purificar e de renascer, mostrando que, assim como a água, há força na fluidez e grandeza na simplicidade.
Sou paciente, pois sei que o tempo é meu aliado. Não importa quanto tempo leve, continuarei meu curso. E, ao longo do caminho, deixarei minha marca — nas margens, nas pedras e nos corações daqueles que cruzarem meu trajeto.
Mesmo quando barrado, não me desespero. Se um muro se ergue à minha frente, encontro um jeito de passar por cima, por baixo ou ao redor, sempre avançando, porque é da minha natureza não desistir.
Mas também sou imprevisível. Posso ser uma chuva mansa que nutre a terra ou uma torrente avassaladora que limpa o caminho. Sou mudança constante, adaptando-me a cada situação, mas sem jamais perder minha essência.
Assim como a água assume diferentes formas — líquida, sólida ou vapor —, também aprendi a me transformar para sobreviver. Há dias em que me congelo, guardando forças para o momento certo de fluir novamente. Há outros em que me evaporo, alcançando alturas inimagináveis antes de voltar à terra em um ciclo contínuo de renovação.
Em meu interior, carrego memórias. Cada gota de mim traz histórias de onde estive, do que superei, e das vidas que toquei. Sou o reflexo de minhas jornadas, cada curva, cada queda, cada calmaria. Ao mesmo tempo, sou esperança.
Assim como os rios encontram o mar, acredito que cada esforço, cada sacrifício, me levará ao destino que almejo.
Há momentos em que a água é tão transparente que revela tudo, e assim também sou. Não temo mostrar minha verdade, porque é nela que reside minha força. Mas também sei ser misterioso, profundo e reservado como o oceano, guardando segredos em minhas profundezas que poucos podem alcançar.
Minha força não é apenas resistência, mas também flexibilidade. É a capacidade de ceder quando necessário, de me adaptar sem quebrar. Quando me lançam pedras, faço delas parte do meu leito. Quando enfrentam minha força, mostro que não é o poder bruto que vence, mas a persistência.
Sou como a água, que acolhe e nutre, mas também exige respeito. Não permito ser contido ou subestimado. Assim como uma correnteza pode parecer tranquila, mas guarda força suficiente para mover montanhas, também guardo em mim a capacidade de enfrentar o que vier, por mais desafiador que pareça.
E, assim, sigo. Sou o rio que encontra o mar, sou a chuva que fertiliza a terra, sou o gelo que preserva a vida, sou o vapor que sobe às alturas. Não importa a forma que assumo, permaneço fiel à minha essência: moldável, resiliente, forte. Sou como a água — simples em minha natureza, mas infinito em possibilidades”.
No meu entendimento, Pedro Augusto apresenta uma verdadeira lição de comportamento consciente e verdadeiro.
Uma verdadeira lição de vida.
Pela transcrição,
(*Heitor Rodrigues Freire – corretor de imóveis e advogado)
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Postado por: Heitor Freire (*), 08 Outubro 2026 às 11:45 - em: Falando Nisso