1984 Heitor Freire (*)

1984

Li recentemente um comentário sobre o livro 1984, a obra-prima do escritor George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair, 1903-1950), e fiquei tentado a ler esse clássico da literatura mundial. Orwell foi um pensador britânico conhecido por seu senso crítico em relação ao sistema político e atento à injustiça social. 1984 foi publicado em 1949 e demonstra de forma ficcional como funciona o totalitarismo; o livro se converteu em uma das narrativas distópicas mais aclamadas de todos os tempos. Ele projeta uma sociedade no futuro em que o poder político esmaga o cidadão.
 
As duas frases abaixo sintetizam a atemporalidade dessa obra, que transcendeu a época em que foi escrita e ainda hoje pode ser aplicada ao nosso presente, ao passado e ao futuro:
 
“Quanto mais uma sociedade se desviar da verdade, mais odiará aqueles que a falam.” 
 
“Em um tempo de engano universal dizer a verdade é um ato revolucionário.”
 
Em seu ensaio "Política e língua inglesa" (1946), Orwell escreveu sobre a importância de uma linguagem precisa e clara, argumentando que a escrita vaga pode ser usada como uma ferramenta poderosa de manipulação política porque molda a maneira como pensamos. Nesse ensaio, o autor elencou seis regras para os escritores:
 
1. Nunca use uma metáfora, símile ou outra figura de linguagem que você está acostumado a ver impressa.
 
2. Nunca use uma palavra longa onde uma curta servirá.
 
3. Se for possível cortar uma palavra, corte-a sempre.
 
4. Nunca use o passivo onde você pode usar o ativo.
 
5. Nunca use uma frase estrangeira, uma palavra científica ou um jargão se você puder pensar em um equivalente em inglês [ou no seu próprio idioma] do dia-a-dia.
 
6. Quebre qualquer uma dessas regras antes de dizer algo completamente bárbaro.
 
Mesmo sem ter conhecido suas regras, constatei que, empiricamente, tenho aplicado cinco delas, que me servem de norte para os meus escritos.  
 
Lendo uma resenha sobre o livro 1984 aprendi que a obra, tornou-se um marco da literatura distópica e política, explorando temas como vigilância constante, manipulação da verdade e o poder absoluto do Estado. Destaco aqui os principais pontos dessa resenha:
 
A mensagem de 1984 é uma forte crítica ao totalitarismo, à vigilância, à manipulação da verdade e à supressão da individualidade, mostrando como regimes autoritários controlam as massas através do medo, da linguagem (Novilíngua) e da reescrita da história, destacando a importância da liberdade de pensamento e da manutenção da memória e da realidade para a dignidade humana, e alerta para o perigo de aceitar a escravidão interna e a perda da autonomia individual.
  
Na obra a Novilíngua, consiste em restringir as possibilidades de raciocínio, não a mera proibição à menção a determinados temas, fatos ou pessoas indesejáveis. É esse o vocabulário pelo qual os personagens da história se comunicam. Trata-se de um idioma de controle político, modulado pelas palavras que podem e que não podem ser ditas.
 
Orwell usou a Novilíngua para mostrar como a linguagem pode ser usada como ferramenta de opressão, onde o controle da fala leva ao controle do pensamento, um conceito que ele explorou no ensaio "Política e a língua inglesa". A Novilíngua é um instrumento para a supressão da individualidade e da dissidência em um regime totalitário. O Grande Irmão, ou Big Brother, é aquele que tudo vê e vigia os passos e atos de todos os cidadãos. 
 
Os pontos centrais de 1984 são:
 
Crítica ao totalitarismo: a obra é um alerta sobre os perigos de um governo que controla absolutamente tudo – pensamentos, palavras, história e até emoções (o Partido/Grande Irmão). 
 
Controle pela linguagem (Novilíngua): a redução do vocabulário (por exemplo “a gente”) e a criação de palavras contraditórias (como "duplipensar") visam limitar a capacidade das pessoas de pensar criticamente e expressar ideias subversivas, mostrando que a linguagem molda o pensamento. É terminantemente proibido pensar com a própria cabeça.
 
Manipulação da verdade e da história: o lema "Quem controla o passado controla o futuro. Quem controla o presente controla o passado" resume como o Partido reescreve a história para moldar a realidade e manter o poder, negando a verdadeira memória coletiva. 
 
Vigilância e medo: a constante vigilância (Telescreens) e a criação de um ambiente de paranoia destroem a privacidade e a confiança, controlando as ações e os sentimentos dos cidadãos. 
 
Importância da individualidade e do amor: O amor entre os personagens Winston e Julia representa uma forma de rebelião e a tentativa de manter a humanidade e a individualidade contra o sistema opressor, mas isso acaba esmagado pela força do Estado. 
 
A luta pela humanidade: a mensagem final é que a luta pela dignidade humana acontece dentro de cada indivíduo, e renunciar à própria humanidade e à capacidade de pensar livremente é o primeiro passo para a escravidão total. 
 
Em essência, 1984 nos ensina a valorizar a liberdade de pensamento, questionar a informação e lutar para preservar nossa própria realidade e humanidade, pois sem elas somos facilmente controlados por qualquer força autoritária, mostrando como a manipulação da informação e da própria mente humana pode levar à escravidão total. 
 
Até parece uma leitura do tempo em que estamos, com perplexidade, vivendo.
 
(*Heitor Rodrigues Freire – corretor de imóveis e advogado)


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Postado por: Heitor Freire (*), 17 Março 2026 às 11:45 - em: Falando Nisso


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