Pergunto a um amigo do PT qual a razão de Lula se expor como idiota, pronunciando aquela frase infeliz – “não existe ninguém mais honesto do que eu neste País...” -, transformando-se em piada instantânea no País inteiro. A resposta foi mais ou menos a seguinte: petistas sempre fizeram oposição cerrada a qualquer governo e se acostumaram com bravatas, ou seja, falar qualquer maluquice que pudesse causar impacto, achando-se inimputáveis.
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O governismo ideológico não consegue compreender o óbvio: estimular divergências criativas contribui para que se encontre saídas mais consistentes para problemas que não permitem que o Estado brasileiro estabeleça políticas públicas de longo prazo, saindo da lógica da promoção de vôos de galinha para a busca de resultados eleitorais.
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Nos governos, nas redações dos jornais, nas empresas, nas famílias, enfim, em qualquer forma de organização humana, as pessoas, individualmente, se separam ou se unem em grupos de interesses, motivados por afinidades afetivas, ideológicas, comportamentais etc. O convívio prolongado ganha, assim, um dinamismo autogestor. Não querendo generalizar, é natural que a dinâmica intrínseca dos relacionamentos termine colocando em lados opostos as famosas turmas do “bem” e do “mal”. Somos “bons” ou “maus” aos olhos dos outros, lógico. Mas há momentos em que temos que limitar as relativizações, principalmente quando se trata de referências morais ou éticas.
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Outro dia, ouvi mais uma vez essa história picareta dita com ares de sabedoria: é melhor votar em político rico porque ele não precisa roubar. Em primeiro lugar, esse é um raciocínio idiota. Tanto faz o cara ser pobre ou milionário, a corrupção é uma questão de oportunidade criada por falhas institucionais.
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Na Câmara é assim: eleições são pelo voto secreto e as votações pelo voto aberto. Ao impor a anulação da eleição que fez vitoriosa a chapa de oposição para a comissão do impeachment o STF desconsiderou a CF, a tradição da Casa e o seu Regimento Interno e estabeleceu a eleição da Comissão de Impeachment como a única eleição onde o voto é aberto e só pode concorrer uma chapa, a oficial. Isto é ou não é um casuísmo? E um casuísmo que beneficia diretamente o Governo.
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Quando, em novembro de 2014, o governador Reinaldo Azambuja começou a preparar a transição governamental, escrevi um artigo -“Transição Intransitiva”-, mostrando que a equipe com a qual ele esperava fazer um “governo de mudanças” não ia dar certo. Na verdade, o texto não tinha por objetivo fazer críticas pessoais e sim levantar questões institucionais que poderiam servir de alerta para que erros fossem mitigados ao longo do tempo. No íntimo, eu torcia para estar errado ou que ainda pudesse ser injusto com pessoas de minha sincera estima, mas o tempo..., bem, o tempo segue esculpindo suas ruínas, sem que se haja fazer muitas coisas que justifiquem a veracidade dos fatos. Eles estão sonoramente gritando nos nossos ouvidos, mas o mugido das consciências arrasta para outras distrações.
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Nesta semana que finda 2015 e inicia 2016, eis que uma notícia agita a imprensa em um dos períodos mais mornos de acontecimentos. Leonel de Moura Brizola é inscrito no Livro de Heróis da Pátria. Nada mais justo. Político que se fez através do voto popular, nasceu muito pobre e para os humildes sempre governou. Seja pelas 6300 escolas construídas em seu governo no Rio Grande do Sul, pelo assentamento dos trabalhadores sem terra, em uma das primeiras experiências de reforma agrária no Brasil.
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O pacote chegou no dia de Natal. Era uma caixa de tamanho médio, embrulhada com papel barato de tom avermelhado, amarrado com uma fita azul de organdi. Pelo peso, parecia não ter nada dentro. Chacoalhei várias vezes e desconfiei de que se tratava de uma brincadeira. Não havia cartão, não havia qualquer indicação de origem, apenas uma caixa vazia.
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Está mais do que claro que 2015 não terminará em 31 de dezembro. O ano de 2016 – tudo indica – começará lá pelos fins de março, quando as águas estivais fecharem o verão e a sensação de que algo mais ameno possa vir pela frente (pelo menos publicitariamente) será tudo ilusão , pois o fato é que estaremos vivendo o ápice da crise, com as massas nas ruas, provavelmente com o deputado Eduardo Cunha fora do Congresso, e Lula na bica para ser chamado a fazer uma visita ao carcereiro de Curitiba. O tempo cronológico no Brasil será apenas uma força expressão.
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Dante Filho (*)
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Carlos Marun (*)
Dante Filho (*)
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