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A resposta de Janot a Gilmar Mendes

  • Fotos Divulgação

    Gilmar falou o que quis e ouviu de Janot o que não deve ter gostado


Postado por Marco Eusébio , 23 de março de 2017 às 11:00 - em: Principal

Acostumado a falar o que pensa pelo poder que lhe confere o cargo mais político do Judiciário brasileiro, quase sempre em defesa de determinado grupo político, o ministro do Supremo, Gilmar Mendes, ouviu o que não está acostumado. Após acusar, para a alegria dos poderosos fora da lei, a Procuradoria-Geral da República de se julgar "acima da lei" e "vazar" para a imprensa nomes de políticos investigados na Lava-Jato, Mendes teve uma resposta à altura do procurador-chefe do Ministério Público Federal.
 
Sem citar seu nome, Janot, em discurso na Escola Superior do Ministério Público da União em comemoração aos três anos da Lava Jato, classificou como "mentira que beira a irresponsabilidade" a declaração de Gilmar (feita com base em artigo da ombudsman da ombudsman da Folha, Paula Cesarino Costa), de que a PGR tenha feito “coletiva em off” para repassar nomes da lista da Odebrecht a jornalistas. E mandou um racado mais do que direto ao presidente do TSE: afirmou que essa ideia só pode vir de “mentes ociosas e dadas a devaneios” e ao “servilismo”. 
 
Janot foi além. “Procuramos nos distanciar dos banquetes palacianos. Fugimos dos círculos de comensais que cortejam desavergonhadamente o poder político. E repudiamos a relação promíscua com a imprensa”, declarou. "Ainda assim, meus amigos, em projeção mental, alguns tentam nivelar a todos à sua decrepitude  moral, e para isso  acusam-nos  de condutas que lhes são próprias, socorrendo-se não raras vezes da aparente intangibilidade proporcionada pela posição que ocupam no Estado", acrescentou o procurador.
 
Para quem não sabe, na semana passada Gilmar Mendes se reuniu diversas vezes com o presidente Michel Temer e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), para tratar, segundo eles, da reforma política. Um dos encontros se deu em jantar promovido pelo ministro, em sua residência, em homenagem ao senador José Serra (PSDB-SP), que fazia aniversário naquele dia. (leia aqui 'Quem tem medo de Gilmar Mendes')
 
"Infelizmente, precisamos reconhecer que sempre houve, na história da humanidade, homens dispostos a sacrificar seus compromissos éticos no altar da vaidade desmedida e da ambição sem freios”, disse Janot. "Esses não hesitam em violar o dever de imparcialidade ou em macular o decoro do cargo  que exercem; na sofreguidão por reconhecimento e afago dos poderosos de plantão, perdem o referencial de decência e de retidão", emendou.
 
Janot destacou a diferença moral entre os integrantes do Ministério Público, para os quais discursava, e quem acusa a PGR de cometer crimes, a exemplo de Gilmar. "Não se impressionem com a importância que parecem transitoriamente ostentar. No fundo, são apenas difamadores e para eles, ouvidos moucos é o que cabe e, no limite, a lei. Não somos um deles, e isso já nos basta.”
 
(Com Congresso em Foco)
 

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