Como "O Talentoso Ripley", personagem que deu nome ao filme interpertado por Matt Damon, que usava o talento de imitar com perfeição outras pessoas para aplicar golpes, o talentoso e brincalhão Valfrido Gonçalves Filho, de 33 anos, foi apresentado hoje pela Polícia Civil em Campo Grande, depois de ser preso por usar o nome de um primo para receber depósitos bancários.
Ele disse ser capaz de imitar vozes de gente famosa, como o senador José Sarney (PMDB-AP), além de outros políticos, médicos e empresários, pastores, padres e bispos, como o ex-arcebispo Dom Vitório. "Já enganei muita gente usando o nome dele", disse. Com esse talento, telefonava para empresas, clínicas e, imitando a voz do patrão, ordenava aos funcionários que depositassem dinheiro em uma conta que mantinha usando o nome de um primo.
EMPRESÁRIOS DE JORNAL E TV Valfrido contou ter imitado até dono de emissora de TV e enganado o sócio de um jornal em Mato Grosso do Sul. Seus golpes teriam rendido R$ 1 milhão só nos últimos seis meses, aplicados em várias cidades do país, conforme o delegado Wellington de Oliveira.
– "Já imitei até o Ueze Elias Zahran", disse o estelionatário, citando o empresário presidente do Grupo Zahran, dono da Copagaz e TV Morena (afiliada Globo em MS), ao contar que foi assim que conseguiu lugar no camarote principal do show com a dupla Vitor & Léo promovido pela emissora em Campo Grande. "Eu sempre usei da boa fé e das informações das pessoas", afirmou. Também contou ter enganado "amigos" em redes sociais.
– "Tem um dono de jornal que era meu amigo no Facebook, também consegui grana dele. Ele nem prestou o boletim de ocorrências com vergonha”, informou o "talentoso Valfrido".
"DEMISSÃO" POR TELEFONE A polícia acredita que ele vinha aplicando seus golpes havia mais de 16 anos. Números de telefone das vítimas, conseguia com a namorada Márcia Aparecida Padilha, de 33 anos, que também foi presa. Contou até que "demitiu", por telefone, secretária de um empresário que se recusou a fazer o depósito.
– “Liguei e disse que era o dono da empresa. imitei certinho a voz. Chamava a secretaria pelo nome. E ela disse que não tinha como fazer aquilo naquele momento. Disse para ela que estava sendo demitida. A secretaria providenciou R$ 4,8 mil. Quando ligava para alguém era certo. Era o chefe, o dono. Naquele momento comandava a empresa, os valores de dinheiro e conseguia mais dados e informações de funcionários”, contou.
"PUXA-SACOS" Disse que ligava para bancos imitando a voz do superintendente e que funcionários "puxavam o saco" ao atender o chefão do outro lado da linha. Irônico, Valfrido afirmou estar arrependido e pediu perdão às vítimas, avisando que agora que está preso vai precisar de mais ajuda:
– “Perdoem-me, quero crescer quero prestar vestibular para o curso de Direito e vou precisar de vocês novamente para pagar as matrículas da faculdade”.
Veja, acima, vídeo do Capital News, site parceiro do Blog, com "o talentoso Valfrido" contando suas aventuras.
(Com informações do repórter Alessandra Carvalho, do Capital News, site parceiro do Blog)