Para usar banheiro feminino, cartunista da Folha de S.Paulo promete acionar a justiça
Letícia Moreira/Folha Online Reprodução
Uma "senhora" entrou no banheiro feminino da Real Pizzaria e Lanchonete, na zona oeste de São Paulo. Momentos depois, foi proibida de voltar ao usar o mesmo banheiro por Laerte Cunha, de 19 anos, pelo dono do estabelecimento depois que uma cliente, com a filha de dez anos, reconheceu que a tal "senhora" era o cartunista da Folha S.Paulo, Laerte Coutinho, de 60 anos, que há três se veste de mulher. O caso chegou ontem à Secretaria da Justiça de SP: a coordenadora estadual de políticas para a diversidade sexual, Heloísa Alves, ligou para Laerte e avisou: ele pode reivindicar seus direitos pois a casa feriu a lei estadual 10.948/2001, sobre discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero. Laerte diz que pretende acionar a lei.
O cartunista se define como alguém "com dupla cidadania". Diz que passou a usar banheiro feminino após aderir ao crossdressing (hábito de vestir-se como o sexo oposto) e se "consolidar" como travesti. Mas afirma não ter preferência por um banheiro específico. "É uma questão de contexto, de como estou no dia. Não quero nem ter uma regra nem abrir mão do meu direito", disse o cartunista. O sócio da pizzaria disse que não sabia dessa tal "dupla cidadania". "Eu nem sabia o que era crossdressing. Houve a confusão, e no final eu cometi esse erro de falar: se o senhor puder usar o banheiro masculino, por favor", afirmou Cunha, acrescentando que se arrependeu do pedido. Na OAB-SP, a presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia, Adriana Galvão, afirma não há lei específica sobre o assunto, informa hoje a Folha de S.Paulo.
BANHEIRO MISTO EM MS – Em Campo Grande, em 2009, uma norma da Secretaria de Educação de MS destinando o banheiro de professores para uso de travestis e transgêneros em escolas estaduais. Professoras não gostaram e o assunto levantou polêmica e acirrou debates acirrados dentre vereadores contra e a favor na câmara (leia clicando aqui). Como a rejeição foi maior do que a aceitação à novidade, a SED acabou recuando da ideia.




Imprimir
Envie por e-mail