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Marco Eusébio
Flashes De Inspiração

Não brilharia a estrela, oh bela... Sem noite por detrás

Francisco (Chico) Buarque de Hollanda, cantor e compositor brasileiro
Falando Nisso

Marchinhas de carnaval não têm mais graça!

Por: Galvão (*)

17 de Fevereiro - 2012

 

Marcha de Carnaval, também conhecida como "marchinha", foi um gênero de música popular que foi predominante no carnaval brasileiro dos anos 20 aos anos 60 do século XX, altura em que começou a ser substituída pelo samba enredo em razão de que as escolas de samba não queriam pagar os altos preços cobrados pelos compositores musicais. Marchinha é um estilo musical importado para o Brasil, descende diretamente das marchas populares portuguesas, partilhando com elas o compasso binário das marchas militares, embora mais acelerado, melodias simples e vivas, e letras picantes, cheias de duplo sentido. Marchas portuguesas faziam grande sucesso no Brasil até 1920, como Vassourinha, em 1912, e A Baratinha, em 1917.
 
Um dia eu já gostei muito, mas hoje eu detesto marchinhas de carnaval. Saturaram. São as mesmas a vida toda e por isso muito sem graça e fora do contexto. “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é...” Essa tem uma rima riquíssima, “Zezé” com “é”! É mole? Alem de ser politicamente incorreta, quem a canta deveria ser preso por induzir as pessoas á homofobia! Mas é carnaval, não pode? Pergunte pra OAB! “Maria sapatão, sapatão, sapatão, de dia é Maria de noite é João”, vai na mesma filosofia. 
 
“Nana, nenê, é muita choradeira, se você não dormir, como é que eu vou pra gafieira?” Olha que mãe desalmada, o conselho tutelar vai te pegar, mana! Uma das mais preconceituosas  que eu penso é “O teu cabelo não nega, mulata, porque és mulata na cor, mas como a cor não pega, mulata, mulata eu quero o teu amor.” Mas como cor não pega? Ou seja, o autor além de racista  tinha  medo de ficar preto. Essa foi  F*&%*  com ph mesmo”! Olha que até tentaram, por esses tempos fazer umas novas,  lá pras bandas da Bahia: “Olha, olha, olha, olha água mineral...”. Essa me leva à loucura total.  
 
Uma  que eu nunca entendia a letra: “Alah lá ôô ôô ôô ô, mas que calor ôô ôô ôô ôô!” Eu pensava que era Alaô pra rimar com calor, mas não é e sim Alah, a rima do calor é só ô ô. “Ai, a bruxa vem aí e não vem sozinha, vem na base do saci. Pula, pula, pula numa perna só. Vem largando brasa no cachimbo da vovó.” Por que uma bruxa fica imitando o saci? Não tem personalidade? E fumar, piorou! Tem a apocalíptica “A dois mil não chegará”. Tem a que a que antecedeu os transplantes médicos, sem entender de rejeição de órgãos: “Tiraram o coração da minha sogra botaram o coração de um jacaré... “. 
 
Alguém aí sabe quem foi Chiquita Bacana que se vestia com uma casca de banana? E os fiscais da saúde pública ficam em polvorosa quando ouvem: “eu mato quem roubou minha cueca pra fazer pano de prato.” Ei, quem alguém na vida pensou um dia que cachaça fosse água? Só se já estivesse muito grogue.  
 
“Ê ê, ê, ê, ê, Índio quer apito, Se não der pau vai comer!” Pra quê um índio quer apito? Não responda, mas deve ser pra apitar Guarani x Tupi! Tem essa em  que a ambulância nem deu tempo de ser acionada: “Foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu”. Letra triste pra carnaval, não é? Deu dois suspiros,  tipo assim: ahhhh, fui! 
 
Pra quem não sabe  existe a marcha do  Marinheiro Popeye. Se compositores  tivessem continuado a compor marchinha poderia existir marcha pra tudo quando é desenho animado, mangá, Power Rangers. É uma pena. Essa do dinheiro eu sempre fiquei na dúvida, é um metáfora pra assalto? Veja bem: “Ei, você aí! Me dá um dinheiro aí! Me dá um dinheiro aí! Não vai dar? Não vai dar não? Você vai ver a grande confusão”. Os flanelinhas devem ter se inspirado nela, já que  se não dermos pra eles a gorjeta do estacionamento, já viu... 
 
Tem as mentirosas: como “é que é dos carecas que elas gostam mais”, minha gente? As águas vão rolar, garrafa cheia eu não quero ver sobrar, eu passo mão na saca saca saca rolha. Segundo o professor Pascoale saca-rolha é substantivo masculino, portanto... 
 
Quando fizeram a marchinha “Bota camisinha”, era pra dar uma ambigüidade de  sentido, mas hoje é uma das mais politicamente corretas e uma das mais chatas! Chega, vou tomar uma que eu também não gosto de axé!
 
(*Raimundo Edmário Guimarães Galvão é músico, jornalista e mora em Campo Grande galvaozim@gmail.com)

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