Assine o RSS | Campo Grande, sexta-feira, 18 de maio - 2012

Marco Eusébio
Flashes De Inspiração

Não brilharia a estrela, oh bela... Sem noite por detrás

Francisco (Chico) Buarque de Hollanda, cantor e compositor brasileiro
Falando Nisso

Enchentes e obras de ficção

Por: Marcos Alex Azevedo de Melo (*)

31 de Janeiro - 2012

Todo ano a situação se repete, marcada por um rito natural. Basta chover acima do previsto e do céu surgir uma tormenta ultrapassando a média pluviométrica prevista e a nossa cidade se vê mergulhada no caos. É aí que surge a “operação abafa”, geralmente iniciada com uma entrevista às tevês e takes de um prefeito ocupado e preocupado percorrendo pontos críticos, em cujo cenário ao fundo sempre se vê uma massiva presença de garis e patrolas.
 
E assim vão brotando as explicações e a declaração oficial, timbrada pelo hábito de oferecer mais do mesmo, detalhando manjadas desculpas: “já estamos providenciando tudo”, “a situação ocorreu porque choveu”, “a chuva foi muito forte”, “a obra tal ainda não está pronta”… O repórter questiona, ávido por uma resposta: “e quando será resolvido o problema?” E vem a resposta: “já estamos trabalhando”, “contra Deus e a natureza não se pode fazer nada”. O que Deus tem a ver com essa situação? Em dezembro do ano passado, um menino morre soterrado no lixão; agora, um motoqueiro perde sua vida, tragado pelo bueiro de uma rua da nossa cidade. Cadê a responsabilidade civil, humana e administrativa para essas mortes?
 
De uma coisa o prefeito não poderá jamais reclamar: da boa vontade dos seus concidadãos, de uma maneira geral e em especial dos órgãos fiscalizadores e que monitoram – do ponto de vista social e institucional – as ações da administração pública, da imprensa, da Câmara Municipal e do Ministério Público Estadual. Uma blindagem absurdamente bem acima dos limites. Passou-se uma gestão de oito anos e não se resolveu o problema da Avenida Afonso Pena. Quanto dinheiro foi aplicado nessa obra?
 
Neste mais recente temporal, as águas desciam sobre e sob a camada do asfalto recapeado, denunciando a absoluta falta de drenagem numa via que esperou décadas por uma cirurgia reparadora que custou R$ 7 milhões, inaugurada como se fosse a principal obra de um governo, com muita propaganda, placas, fotos e imagens festivas. Porém, mal acaba o foguetório e o pavimento já começa a esfarelar. Pura obra de ficção.
 
E os saquinhos de terra das galerias na Avenida Ricardo Brandão? Vergonhosamente colocados, desmoronaram. Fizeram então a opção de recomeçar tudo de novo. Quanto tempo demorou essa obra? Quanto recurso público ali foi investido? Obra de ficção.
 
Na Avenida Ernesto Geisel (a Norte-Sul), tentou-se arrumar a erosão asfáltica improvisando antigos trilhos de ferro usados para escorar placas de concreto. A ação, amadora, sugere uma analogia com a construção da primeira casa dos três porquinhos da fábula infantil. Anote-se: R$ 42 milhões! Esta é a pedida oficial da Prefeitura para que possa arrumar a via, sinceramente… E a barragem (!?) construída no Córrego Sóter? Denota e evidencia a ausência total de preparo técnico e até mesmo de bom senso na sua execução, supervisão e liberação, um verdadeiro escárnio.
 
Nos bairros, em asfaltos feitos e entregues há menos de seis meses, a única coisa que resta e que não esfarelou é o totem alaranjado anunciando, com requintes de crueldade, a entrega de mais uma obra de ficção e a chegada do carnê de contribuição de melhorias, a famigerada taxa de asfalto.
 
O fato e um dado concreto: todas as obras públicas em Campo Grande duram uma eternidade para se concretizar. Quanto tempo demorou para serem entregues vias como a Rua Ceará e o cruzamento da Avenida Mato Grosso com a Via Park? E geralmente todas, pequenas, médias e as grandes obras, sempre reclamam e precisam de recall. É dinheiro público sendo gasto duplamente, triplamente. E o engraçado é que ainda posam de competentes e se fazem se passar por sérios. Infelizmente, muitos incautos ainda acreditam nessa competência “fictícia”.
 
Diante dessa situação, a melhor coisa que a atual administração poderia fazer nesse momento em relação às enchentes é o não fazer. Se não deu conta e não teve competência técnica e gerencial para, nesses oitos anos, resolver tais problemas, não será agora em seis meses – pois o calendário eleitoral é super apertado – que conseguirá a solução miraculosa. É melhor e mais barato deixar essa tarefa para o prefeito ou prefeita que vier. Chega de obras de ficção. Dinheiro público merece respeito.
 
(*Marcos Alex Azevedo de Melo é vereador, líder da bancada do PT, presidente da Comissão de Segurança Publica e mmembro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Campo Grande)

Compartilhe:

Busca

  • Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

    Get Adobe Flash player

Enquete

Na sua opinião, o nome ideal para vice do pré-candidato Edson Giroto (PMDB) em Campo Grande seria...

  • Paulo Siufi (PMDB)
  • Nilde Brun (PDT)
  • Dagoberto Nogueira (PDT)
  • Tatiana Ujacow (PDT)
  • Sidneia Tobias (PDT)
  • Rose Modesto (PSDB)
  • Tereza Name (PSD)
  • Grazielle Machado (PR)
  • Outro(a)
  • Paulo Pedra (PDT)
  • Gilda Maria (PT)
  • Digite o código de confirmação abaixo

VIDE VÍDEOS

Um vídeo da Globo News em que o discurso da presidente Dilma Rousseff na posse do novo ministro do Trabalho, Brizola Neto, é interrompido para apresentação ao vivo de uma repórter em gravação, gerou polêmica na internet. Com o título “A Globo não engole um governo trabalhista” o vídeo foi postado na internet por um usuário que se identifica como "liscamoure" no YouTube e como @rei_lux no Twitter, que escreveu: "O nome Brizola causa urticária na Globo. Cortaram até a fala de Dilma" atribuindo o episódio à uma suposta conspiração da Globo, que historicamente foi alvo de críticas de Leonel Brizola, contra a família do ex-governador do RJ. Pelo Twitter, o ator da Globo e militante petista José de Abreu disse que foi um erro técnico: “O pior é que foi erro de algum técnico, a repórter não esperava, o assunto era outro. Tudo errado! Ao vivo, imperdoável.” 

VEJA MAIS [+]

FOTOSÍNTESE

Autor:

O casal de araras observando a imagem da arara gigante pintada em um edifício flagrado pelo repórter-fotográfico Denilson Secreta sintetiza o espírito de natureza urbana que, felizmente, ainda impera em Campo Grande (MS).

VEJA MAIS [+]

Marco Eusébio in Blog • marcoeusebio@marcoeusebio.com.br • Entrelinhas da Notícia